A cidade de Bauru passou a sediar um marco inédito para o setor elétrico latino-americano: o primeiro reator de transmissão de energia refrigerado e isolado com óleo vegetal da América Latina. Desenvolvido em parceria entre a ISA Energia Brasil e a Hitachi Energy, o equipamento representa um avanço tecnológico voltado à redução da pegada de carbono e à modernização da infraestrutura energética nacional. O novo reator foi instalado na subestação de Bauru, considerada estratégica para o sistema elétrico paulista. O equipamento substitui o tradicional óleo mineral derivado do petróleo por um óleo vegetal biodegradável, capaz de reduzir impactos ambientais e aumentar a segurança operacional do sistema.
Segundo o CEO da ISA Energia Brasil, Rui Chamma, a iniciativa faz parte da estratégia da companhia para antecipar as demandas da transição energética e preparar o país para um futuro de maior consumo de eletricidade. “Não haverá transição energética sem um sistema de transmissão confiável, moderno e preparado para as novas demandas. As decisões tomadas hoje vão definir como será o setor elétrico nos próximos 30 anos”, afirmou.
A subestação de Bauru foi escolhida por sua relevância dentro da malha energética paulista. A unidade integra o corredor de transmissão responsável por conectar a geração de energia do oeste do estado ( incluindo usinas hidrelétricas e solares) aos principais centros consumidores da capital, litoral e região de Sorocaba. De acordo com a ISA, a modernização da subestação envolve investimentos em digitalização, substituição de sistemas de proteção, implantação de fibras ópticas, automação e renovação de equipamentos de alta tensão. Dos 53 equipamentos que serão modernizados no setor de 440 KV, 11 são reatores, sendo quatro deles com tecnologia a óleo vegetal.
Para a companhia, Bauru reúne as condições ideais para validar a nova solução em larga escala. “A ISA Energia Brasil é responsável por mais de 90% da energia transmitida no Estado de São Paulo. Em Bauru, temos uma base muito importante e, durante o processo de modernização da subestação, decidimos trazer os primeiros equipamentos com essa tecnologia”, explicou Rui. Além da redução da emissão de carbono, o reator oferece ganhos ambientais e operacionais. O óleo vegetal possui maior resistência à combustão, reduzindo o risco de incêndios, e apresenta alta biodegradabilidade, cerca de 99% do material é degradado em até dez dias, segundo os fabricantes.
O presidente da Hitachi Energy no Brasil, Glauco Freitas, destacou que o projeto simboliza um novo momento para a infraestrutura energética brasileira. “Esse é o primeiro reator instalado na América Latina com óleo vegetal. É uma solução de longo prazo, mais sustentável e alinhada ao futuro do setor elétrico”, afirmou. Glauco ressaltou ainda que o crescimento acelerado do consumo de energia elétrica no mundo exige investimentos em transmissão e inovação tecnológica. “Hoje, a eletricidade representa cerca de 20% da matriz energética global. As projeções indicam que esse número pode chegar a 50% nas próximas décadas. O Brasil já avançou muito na geração renovável e agora precisa fortalecer a transmissão dessa energia”, disse.
O executivo também afirmou que a parceria entre ISA e Hitachi se consolidou ao longo de décadas e tem sido fundamental para o desenvolvimento de novas soluções no continente. Nos últimos 20 anos, a Hitachi forneceu mais de 170 reatores para operações da ISA no Brasil e em outros países da América Latina.
O equipamento faz parte da linha “EconiQ”, portfólio global da Hitachi voltado a soluções ecoeficientes para transmissão elétrica. Segundo a empresa, a tecnologia já está presente em mais de 30 países, mas esta é a primeira aplicação em sistemas de transmissão de energia da América Latina.
A expectativa das empresas é que a experiência em Bauru sirva como referência para futuros projetos sustentáveis no setor elétrico brasileiro, especialmente diante do avanço da eletrificação da economia, da expansão dos data centers e do crescimento das fontes renováveis.