O vereador Jr. Lokadora (Podemos) volta a denunciar a permanência de pacientes classificados como “alta social” ocupando leitos hospitalares no município de Bauru, mesmo após aproximadamente um ano de cobranças formais junto ao Ministério Público e à Defensoria Pública. São classificados como pacientes em "Alta Social" aqueles que estão curados, mas não têm para onde ir. Segundo o parlamentar, o problema persiste sem solução efetiva, enquanto pacientes seguem internados por falta de estrutura de acolhimento social adequada. Ao mesmo tempo, há superlotação nas UPAs e mais de 70 pessoas aguardando vagas na rede hospitalar.
Lokadora aponta que hospitais não devem ser utilizados como abrigo e critica a falta de articulação entre Estado e Município para resolver a situação, que acaba mantendo pacientes em ambiente hospitalar por tempo indevido e agravando a fila por atendimento. “Mesmo após as denúncias e encaminhamentos feitos aos órgãos competentes, a realidade continua a mesma. Pessoas que precisam de acolhimento não podem permanecer em ambiente hospitalar por falta de alternativa. Hospital não é abrigo. O jogo de empurra entre Estado e Município precisa acabar, porque quem sofre é a população que espera por uma vaga, por atendimento e por dignidade.”
Lokadora defende a criação de fluxos efetivos de alta social e acolhimento, com integração entre as esferas de governo, para evitar a permanência indevida de pacientes em hospitais e a sobrecarga das unidades de pronto atendimento.
Posição da Prefeitura de Bauru
"A Prefeitura de Bauru, por meio da Secretaria de Assistência Social, informa que mantém diálogo permanente com a unidade hospitalar mencionada na reportagem e com o Governo do Estado, atuando de forma integrada na construção de soluções voltadas ao atendimento e acolhimento de pacientes em situação de vulnerabilidade social após alta hospitalar. Na data de 07/05, foi solicitada ao hospital a relação atualizada dos pacientes em acompanhamento social, sendo encaminhada pela unidade uma lista contendo 23 pacientes. Posteriormente, a reportagem divulgada mencionou 28 casos, número divergente daquele oficialmente informado à Secretaria. Diante da divergência, a Secretaria realizou novo contato com a unidade hospitalar para esclarecimentos, sendo informada de que os cinco casos adicionais referem-se a pacientes oriundos de outros municípios, fora da rede de referência de Bauru.
Também é importante esclarecer que os casos apresentados possuem diferentes perfis e necessidades, não configurando, em sua totalidade, situações de abandono ou vulnerabilidade social. Entre os pacientes relacionados, há pessoas com vínculo e referência familiar ativa; pacientes em processo de encaminhamento dentro da rede de saúde; além de pacientes com autonomia e independência funcional para retorno ao domicílio, mas que permanecem internados por decisão da própria unidade hospitalar, mesmo estando aptos para alta.
Existem ainda situações em avaliação técnica e social, bem como pacientes que ainda não tiveram a alta hospitalar oficialmente concluída. Os pacientes sem acolhimento familiar seguem recebendo acompanhamento e suporte da assistência social do município, em articulação com os serviços da rede socioassistencial e de saúde. A Prefeitura também informa que o chamamento público realizado para ampliação de vagas de acolhimento não registrou interessados e será republicado nos próximos dias, como parte dos esforços contínuos para fortalecimento da rede de atendimento.
Entre os casos acompanhados, dois idosos já possuem acolhimento definido e serão encaminhados para instituição do município na próxima semana. Em relação ao atendimento híbrido, há atualmente dois casos em acompanhamento nesta modalidade. A Prefeitura de Bauru reforça que as demandas seguem sendo tratadas de forma conjunta entre Município, Estado e rede hospitalar, com foco na construção de alternativas responsáveis, humanizadas e adequadas para cada caso."