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Como saber se o preço de um seminovo está justo? Confira fatores

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O mercado de veículos usados e seminovos segue aquecido no Brasil. Dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) mostram que o setor segue em trajetória ascendente.

Em fevereiro o segmento registrou a venda de 1.363.383 unidades, uma alta de 1,7% em relação a janeiro. Em 2025, o crescimento foi de 17,3% e esse bom desempenho consolida um início de ano promissor.

Com essa alta no volume de vendas, saber se o preço pedido por um seminovo está, de fato, justo virou um dos maiores desafios para o consumidor.

A tradicional consulta à Tabela Fipe é apenas o ponto de partida, mas está longe de refletir todas as variáveis que impactam o valor real de mercado.

"A Fipe é uma referência importante, mas não considera especificidades como estado de conservação, histórico de uso, liquidez regional e nível de procura daquele modelo específico", explica Miguel Souza, CEO da Vaapty, líder no franchising de intermediação de venda de veículos no país.

5 fatores

Histórico do veículo

Carros com passagem por leilão, histórico de colisão estrutural ou indenização por seguradora podem sofrer desvalorização significativa, mesmo quando estão bem conservados, aparentemente. "Hoje é possível consultar laudos e históricos detalhados. Ignorar essa etapa pode significar pagar preço cheio por um carro que o mercado avalia abaixo", alerta o especialista.

Liquidez do modelo no mercado

Alguns modelos, como por exemplo, utilitários, têm saída rápida e alta procura, o que sustenta preços mais elevados. Outros, como SUV's, mesmo em bom estado, podem ter baixa liquidez. "Não é só oferta e demanda nacional. A procura varia por região. Um SUV pode ter valorização maior em determinadas capitais do que em cidades menores", explica.

De olho na quilometragem

A quilometragem média anual no Brasil gira em torno de 10 mil a 15 mil quilômetros. Valores muito acima ou muito abaixo da média podem acender alerta para um possível comprador. "Quilometragem extremamente baixa também exige atenção. Pode indicar longos períodos parado, o que gera um desgaste diferente do uso contínuo", afirma.

Versões e itens de série

Diferenças entre versões, como híbrido, câmbio automático, pacote tecnológico, teto solar e assistentes de condução, impactam fortemente o valor. "Dois carros do mesmo ano e modelo podem ter diferença relevante de preço dependendo da versão. O consumidor muitas vezes compara apenas marca, modelo e ano, sem observar esses detalhes. Por isso, uma intermediação feita por profissionais faz diferença no valor final e facilita esse processo", diz.

Conservação real

Para além da estética, como pintura, pneus e limpeza interna são visíveis, mas o estado de motor, suspensão e câmbio pesa mais na avaliação profissional. "Uma vistoria técnica independente é fundamental. Pequenos ruídos ou sinais de desgaste podem indicar custos futuros que precisam entrar na conta", orienta.

Para o CEO da Vaapty, o principal erro do consumidor é negociar apenas pela tabela Fipe ou pela quilometragem. "O valor justo é aquele compatível com o histórico, a conservação e a realidade do mercado. Comprar bem é tão importante quanto vender bem. Uma boa avaliação reduz risco e evita prejuízo", conclui.

Sempre observar

Laudo cautelar e estrutura: Carros que passaram por leilão, sinistros (batidas graves) ou têm histórico de repintura podem custar até 30% a menos que a Fipe. A ausência de laudo aprovado é um risco altíssimo de depreciação.

Estado dos consumíveis (pneus e freios): Pneus carecas ou pastilhas de freio no fim da vida exigem um gasto imediato alto. Se o preço estiver alto e os itens de manutenção básica ruins, o valor está injusto.

Procedência e histórico de revisões: Um carro com manual carimbado, revisões na concessionária ou oficinas especializadas comprovadas vale mais do que um de mesmo ano sem registros. A comprovação documental reduz custos futuros.

Custo de seguros e peças: Modelos com manutenção cara ou seguros elevados (carros visados ou de nicho) tendem a ter seu valor de venda pressionado para baixo para atrair o comprador, influenciando o preço justo.

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