OPINIÃO

Aeroclube, Museu aeroviário, Mobilidade Urbana e Aeroporto Moussa

Por Aloísio Costa Sampaio | O autor é Engenheiro Agrônomo e Livre-Docente da Unesp – Campus de Bauru
| Tempo de leitura: 3 min

Através desde veículo de comunicação estamos acompanhando os planos da administração municipal em fazer leilão da área lateral ao longo da Av. Getúlio Vargas, de modo que trago algumas ideias para reflexão da comunidade política e empresarial bauruense. O Aeroclube foi fundado em 08/04/39 (87 anos) com doação da área para fim específico de aviação civil e cumpriu seu papel, mas a cidade de Bauru cresceu e no momento seu funcionamento estrangula a mobilidade urbana e no futuro não haverá solução técnica para este gargalo.

O Município já ganhou juridicamente a posse de mais de 90% da área (128 mil m2), sendo que para a Associação do Aeroclube ficou designado todos os hangares e pequenas áreas adjacentes, mas a manutenção e segurança do local tem sido feito pela EMDURB, a um custo anual ao redor dois milhões de reais. A proposta é transformar os hangares em um Museu Aeroviário com apoio do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e Fundação Marcos Pontes, preservando o patrimônio histórico e cultural, juntamente com uma ‘Ibirapuera Bauruense’, com área de paisagismo, caminhada, trailer, apresentações culturais e um centro de eventos, sendo este último a ser concedido para iniciativa privada através de uma concessão pública. Bauru é uma cidade universitária, possuindo o maior Campus da UNESP, USP (odontologia, medicina, fonoaudiologia), ITE, UNIP, Unisagrado, FIB, Anhanguera, e não há um local adequado para Congressos Científicos e outros eventos de negócios e feiras, cujo turismo traz excelentes receitas para vários segmentos empresariais e empregabilidade.

Em São Paulo o Distrito Anhembi teve a sua concessão em 2021 pela empresa francesa GL Eventos por 30 anos, com compromisso de investir mais de R$ 1 bilhão para modernizar, reformare operar o espaço. Mas para onde irá o Aeroclube e como viabilizar a estrutura atual a ser transformada em museu aeroviário? O Aeroporto Moussa Tobias tem estrutura de equipamentos, comprimento de pista e espaço físico ocioso, que poderá abrigar hangares novos nas mesmas dimensões, otimizando o Aeroporto com os cursos já existentes de formação de pilotos, planador, instrutor de vôo e comissário de vôo; perspectivas de oficina de aeronaves, novos vôos e terminal de Cargas do Centro-Oeste Paulista.

E o recurso viria de onde? Leilões na Bovespa (B3) da área na extremidade da pista, que seria parcelada em lotes de 5.000 m2, com valor mínimo de mercado, até atingir a estimativa orçamentária financeira. Este recurso seria destinado a um Fundo específico (carimbado) para investimentos no projeto urbanístico ‘Ibirapuera Bauruense’ e para as construções no Aeroporto Estadual Moussa Tobias, a fim de atender a continuidade das Atividades dos Associados e cursos de capacitação. Atualmente o Aeroporto Estadual está sob concessão da Voa São Paulo, que também seria beneficiada pelo aumento de movimentação e público. Possível projeto de lei do executivo seria discutido e aprovado pela Câmara Municipal. E os herdeiros não poderiam questionar na justiça a devolução da área? O Aeroclube continuará em atividade, porém em função do crescimento da cidade e benefícios a sociedade bauruense, filosofia bondosa e sábia do doador em 1939, não será empecilho, bem como a anuência dos empresários do Aeroclube que querem o melhor para a comunidade.

Esta ação permitirá a continuidade da Avenida Chaim Mauad (Bauru Shopping) e Odilon Braga (Polícia Federal), assim como possibilidade de futura duplicação da Av. Getúlio Vargas, tornando-se uma solução de mobilidade indispensável para as futuras gerações. E o Bar do Aeroclube? Continuará com suas atividades em uma realidade ainda melhor de público e sucesso. E o Arraiá Aéreo? Poderá ser realizado no Aeroporto Bauru-Arealva, com melhor infraestrutura, estacionamentos, fluxo de veículos e segurança. Mas a pista não foi tombada pela Codepac - Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru? Pelos benefícios sociais, econômicos, culturais e históricos presentes nesta proposta integrada, e preservação dos hangares em Museu Aeroviário, com certeza os membros da Codepac serão unânimes no destombamento da pista, pois estamos pensando em qualidade de vida dos nossos filhos e netos.

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