POLÍTICA

Flávio Bolsonaro chora, acena a Nikolas e propõe fim da reeleição

Por Carolina Linhares e Augusto Tenório | da Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chorou ao falar da prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chorou ao falar da prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)

Em uma reunião com deputados, senadores e dirigentes do seu partido, na tarde desta quarta-feira (25), o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez acenos após brigas no clã, pediu por união da direita e chorou ao falar da prisão do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O senador anunciou que protocolou uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para acabar com a reeleição no país -uma das propostas que ele tem defendido na pré-campanha. O texto tem o apoio de 14 parlamentares até agora, e são necessários 171 deputados ou 27 senadores para que a proposta seja protocolada.

"Protocolei uma PEC para confirmar aquilo que já havia dito, de que o presidente da República deve ser por apenas um mandato. Então faço um gesto público [...] para mostrar que isso não é um projeto pessoal, é um projeto de país. É a consciência de que o Brasil não aguenta mais quatro anos de PT", disse Flávio a jornalistas após a reunião.

A imprensa não teve autorização para acompanhar o encontro, mas congressistas relataram que a intenção de Flávio foi aparar arestas e engajar sua base para a campanha, ressaltando que está feliz com o resultado das pesquisas sobre a disputa contra Lula (PT).

Emocionado, Flávio falou sobre a visita que fez nesta quarta a seu pai, preso na unidade conhecida como Papudinha, e relatou a situação debilitada do ex-presidente. Disse ainda que Bolsonaro estará com ele no dia da sua posse, em janeiro de 2027 -caso seja eleito presidente.

O senador se sentou entre o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), com quem o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) teve uma desavença pública nos últimos dias. A nova rodada de conflitos no clã envolveu também Carlos Bolsonaro (PL) e Michelle Bolsonaro (PL).

Em sua fala aos parlamentares, Flávio mencionou as intrigas, dizendo que isso não vai ser capaz de distanciar seu grupo e que é preciso olhar para frente e derrotar o mesmo adversário. O senador teria afirmado ainda que nem palavras, nem circunstâncias e nem o passado iriam separar quem pensa igual.

Em resposta, Nikolas disse que era preciso união e trabalhar forte para eleger Flávio. O clima foi positivo, segundo os presentes.

"O que nos une é querer derrotar o PT, então estaremos juntos", disse o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), para resumir a mensagem de Flávio.

Ao falar com jornalistas, o pré-candidato disse que não se tratava de "puxão de orelha nem cobrança de nada". "Está todo mundo muito consciente do objetivo de resgatar nosso Brasil. Vim para agradecer o empenho de todo mundo e pedir a ajuda de todo mundo em qualquer situação em que possam levar nossas bandeiras e nossa verdade", completou.

A ex-primeira-dama não compareceu, mas sua ausência foi justificada aos presentes -ela estaria visitando Bolsonaro no mesmo horário da reunião. Em atrito constante com os filhos de Bolsonaro, Michelle tem sido criticada por aliados de Flávio por não apoiá-lo na disputa eleitoral.

O senador ainda comentou a respeito dos seus palanques em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que já foram definidos. A Folha de S. Paulo revelou anotações feitas por Flávio sobre a situação do PL em cada estado. Em seu discurso, ele falou sobre a importância das alianças e da união da direita de modo geral.

Valdemar não chegou a discursar, mas o coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que os palanques de todos os estados serão resolvidos paulatinamente em reuniões internas.

Flávio também afirmou que iria se reunir com as bancadas estaduais para definir candidatos e viagens a cada estado.

Maior partido da Câmara e do Senado, o PL tem 87 deputados e 15 senadores. Na noite desta quarta, ainda haverá um jantar para toda a bancada da legenda no Congresso.

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