CONVITE DE ESTELA

Deputado federal Rui Falcão defende pautas trabalhistas em Bauru

da Redação
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Divulgação
Estela Almagro e Rui Falcão
Estela Almagro e Rui Falcão

Em visita a Bauru, na última sexta-feira (6), o deputado federal Rui Falcão (PT) apresentou e defendeu uma série de pautas trabalhistas e sociais que, segundo ele, precisam estar no centro do debate nacional. A agenda inclui o fim da escala de trabalho 6x1, a regulamentação dos motoristas e entregadores por aplicativos, a retomada do transporte ferroviário no país e mudanças no atual modelo das emendas parlamentares.

O parlamentar esteve no município a convite da vereadora Estela Almagro (PT) e destacou que sua presença teve como objetivo dialogar com a população sobre temas estruturantes, durante entrevista ao jornalista Nelson Itaberá, na TV Câmara. “Vim aqui para responder perguntas e falar da nossa atuação no Congresso e dos desafios do país”, afirmou.

Entre os principais pontos defendidos, Rui Falcão voltou a criticar a escala 6x1, em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso por semana. Para ele, a proposta de mudança não é apenas trabalhista, mas social. “O fim da escala 6x1 é o direito ao tempo, que precisa ser valorizado”, disse. Segundo o deputado, experiências já adotadas por empresas com escalas 5x2 mostram que a mudança é viável. “Sempre dizem que vai quebrar o país, mas toda vez que surge um novo direito, o discurso é esse. Foi assim com o salário mínimo”, completou.

Outro tema destacado foi a situação dos trabalhadores de aplicativos, como motoristas e entregadores. Rui Falcão lembrou que a categoria já reúne mais de dois milhões de pessoas no Brasil, muitas delas sem qualquer proteção social. “Se esse trabalhador se acidenta ou quebra uma perna, não tem nenhum amparo. Eles ganham pela velocidade, o que aumenta os acidentes. Precisa de regulamentação. Não será CLT, mas eles precisam ter direitos mínimos”, defendeu.

Rui Falcão também apontou a retomada dos trens como prioridade estratégica para o desenvolvimento econômico e ambiental do país. Ele citou a região de Bauru como exemplo da importância histórica e logística da malha ferroviária.

“Não dá para continuar transportando tudo por caminhão. Se queremos reduzir a emissão de carbono, precisamos investir em ferrovias, integrar os modais rodoviário, ferroviário e hidroviário”, afirmou. O deputado relembrou que o Brasil já teve uma ampla rede de transporte de passageiros. “Eu viajava de trem de São Paulo a São José do Rio Preto. Para o Rio tinha o Trem de Prata. Precisamos recuperar os trilhos e investir em velocidade”, disse.

O parlamentar também fez duras críticas ao atual modelo das emendas parlamentares, que classificou como um “sequestro do orçamento” e do poder do Executivo.
“Isso afeta o planejamento governamental, abre margem para clientelismo e, infelizmente, para corrupção”, afirmou. Como alternativa, Rui Falcão defendeu a retomada do orçamento participativo em nível nacional. “Hoje temos internet e meios de consulta que não existiam há 20 anos. Por que não consultar a população sobre prioridades do orçamento?”, questionou.

Ao falar sobre o cenário político, Rui Falcão avaliou que a eleição presidencial será marcada por forte mobilização social. “Vai ser uma campanha difícil e polarizada. O Lula é base e amor, mas a campanha vai ser de cobrança, com o povo na rua exigindo projetos e propostas”, afirmou.

Para o deputado, a participação popular será decisiva não apenas nas eleições, mas também na pressão por mudanças estruturais. “Quando o povo se manifesta, as coisas mudam. A democracia precisa funcionar de baixo para cima”, concluiu.

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