Cerca de 100 moradores do Parque Manchester (Zona Leste de Bauru) realizaram, na manhã deste sábado (31), um protesto para cobrar melhorias na infraestrutura da região, especialmente a pavimentação das vias. A mobilização teve início por volta das 9h, após o surgimento de erosões que, segundo relatos, chegaram a expor a rede de esgoto e provocar atoleiros, deixando veículos presos em buracos.
A manifestação contou com a presença dos vereadores Estela Almagro (PT), José Roberto Segalla (União Brasil), Pastor Bira (Podemos), Mané Losila (MDB) e Junior Lokadora (Podemos). De acordo com os moradores, o bairro não deverá ser contemplado com obras de asfaltamento, mesmo após a Prefeitura de Bauru investir em uma nova usina de asfalto, viabilizada por investimento público de R$ 3,9 milhões, conforme noticiado pelo JC/JCNET em julho de 2024. A justificativa apresentada por representantes do município e por vereadores aos moradores seria a existência de implicações burocráticas e ambientais do loteamento.
A comerciante Terezinha Dias Medeiros, moradora do bairro, afirma que a principal alegação do poder público está relacionada à chamada popularmente “Lei do Cerrado”, leis que impõem restrições à ocupação do solo em áreas com vegetação nativa e de proteção ambiental. Apesar disso, moradores questionam a decisão, já que arcam com impostos municipais, como Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e taxa de iluminação pública, além de possuírem imóveis próprios, muitos deles financiados pela Caixa Econômica Federal. Segundo Terezinha, o bairro reúne mais de 500 residências. “Pagamos todos as taxas, temos documentação das casas e até a numeração oficial emitida pela Prefeitura. Mesmo assim, quando pedimos asfalto, recebemos uma negativa. É como se o nosso bairro fosse esquecido”, relata.
A moradora também afirma que, ainda no primeiro mandato, a prefeita Suéllen Rosim teria se comprometido a buscar soluções para o bairro, mas que o diálogo não avançou após a eleição. Além da falta de pavimentação, os moradores enfrentam dificuldades de mobilidade e acesso ao transporte público. Em períodos de chuva, a formação de lama e novas erosões impede a circulação de veículos. “Nem ônibus nem motoristas de aplicativo entram no bairro, devido ao risco de danos. O prejuízo acaba sendo nosso porque precisamos dar um jeito”, explica Terezinha. Ela acrescenta que a situação contribui para problemas como redes de esgoto expostas e falta de água por semanas em alguns pontos.
Para utilizar o transporte coletivo, os moradores precisam caminhar cerca de 30 minutos até os pontos mais próximos, localizados nos bairros Tangarás e Santa Terezinha. Segundo relatos, nem mesmo ônibus escolares conseguem acessar a região em dias de chuva.
Outro problema apontado é a falta de iluminação pública em diversas ruas, o que aumenta a sensação de insegurança, especialmente à noite. “Mães e crianças muitas vezes precisam caminhar no breu até chegar em casa ou até um ponto de ônibus, o que gera insegurança”, conclui a comerciante.
A Prefeitura de Bauru informa ao JCNET que o Jardim Manchester está na lista de futuras obras de pavimentação. No entanto, trata-se de uma intervenção de grande porte, que demanda um montante alto de recursos. Sobre motivos que impedem o asfaltamento no bairro, o governo afirma que "atualmente, não há impedimento legal definitivo, porém, existem condicionantes técnicas e orçamentárias, como a necessidade de regularizações em determinados pontos do bairro e a obtenção de recursos financeiros compatíveis com a complexidade da obra".
Sobre as demandas do Manchester, de uma forma em geral, "a Prefeitura de Bauru reforça que está atenta às reivindicações dos moradores. Nesta semana, a Secretaria de Infraestrutura esteve presente no bairro, ouvindo as demandas e avaliando as necessidades in loco. O governo municipal segue empenhado na busca de recursos estaduais e federais para viabilizar a obra de pavimentação e demais melhorias, mantendo o diálogo constante com a comunidade".