COLUNISTA

Faculdade com avaliação ruim e o mestrado

Por Alberto Consolaro | Professor Titular da USP e Colunista de Ciências do JC
| Tempo de leitura: 3 min
São muitas universidades e estimular, fiscalizar e avaliar é uma tarefa muito trabalhosa, mas fundamental para o bom andamento do nosso dia a dia.
São muitas universidades e estimular, fiscalizar e avaliar é uma tarefa muito trabalhosa, mas fundamental para o bom andamento do nosso dia a dia.

Nas faculdades com conceitos ruins nas avaliações, quem ensina os graduandos a pensar? São os tutores, mentores, estágiários, preceptores, mestrandos, doutorandos e profissionais que não têm formação filosófica e pedagógica para ensinar as pessoas a pensar e adquirir uma capacidade analítica e crítica. Eles ensinam apenas o fazer técnico.

Os mestrados foram criados para capacitar o corpo docente e formar profissionais competentes na arte de analisar e pensar, na arte de criar e inovar. Não se pode cobrar capacidade de inovação, sem ensinar a analisar e a refletir. Mas, alguns mestrados se perderam e acabam dando título de mestre sem capacitar para a vida acadêmica. Mestrado é apreender a ensinar!

PEDAGOGOS

Na Grécia, os escravos levavam as crianças para todos os lugares. Eram filhos dengados e ricos que já se achavam poderosos. Os escravos para não serem punidos por discordar das crianças, tinham que se virarem. Criaram técnicas, modos e outras artimanhas para conseguirem o objetivo, hoje conhecidas como metodologia de ensino. Este tipo de escravo passou a ser conhecido como “pedagogo” ou guia de crianças. Aprenderam a tratar, trabalhar e educar as crianças pela necessidade de preservar a vida.

Educar é induzir a busca e a reflexão para se construir o conhecimento em si mesmo. Se a informação chega e você e não interioriza, isto continua sendo informação, logo esquecemos. A informação vira conhecimento a partir do momento que a mente reflete, analisa, questiona e conclui.

As pessoas adoram protocolos, pois “acredita-se” que sejam informações testadas, mas principalmente porque não precisam analisar e pensar sobre elas. O uso de um protocolo é automático e nem se questiona, não se inova, não se evolui. O uso de protocolos é técnico, não estimula criatividade e inovação, só o consumo.

O MESTRADO

O mestrado foi criado para uma pessoa que queira ser professor, aprenda as técnicas de abordagens e processamento de informações para que se transformem em conhecimento a partir da reflexão, criatividade, analise critica e capacidade de decisão. O professor forma um individuo pensante e questionador, e não um fazente.

No mestrado não se treina para virar especialista. No mestrado se ensina como abordar didaticamente determinados assuntos, como resgatar o conhecimento disponível na literatura analisando os bons e ruins para selecionar e usar na reflexão e crítica. Mestrado deve ter conteúdo de pedagogia, técnicas de apresentação, interpretação e análise de conhecimentos a ser transmitidos. Mestrados sem este conteúdo são especializações, pois “mestrado serve para formar mestres”, simples assim, diria Lenine.

Na maioria das escolas com notas baixas, os professores que estão na sala de aula, laboratórios e hospitais não têm mestrado onde aprenderiam ser pedagogos. São especialistas, preceptores, monitores, tutores, mentores ou outro nome que se dê a quem acompanha os alunos. O verdadeiro mestre forma pessoas a cada momento de convívio.

O tempo do mestrado é o momento para testar e exercitar as técnicas de ensino, avaliar resultados, se familiarizar com as novas tecnologias, enfim são dois anos para se aprender a ser mestre ou professor na verdadeira concepção da palavra.

Na hora de contratar um professor, estas universidades com avaliações ruins, não se contrata o verdadeiro mestre. Um aula-teste não serve para avaliar um bom professor, mas sim a convivência no dia a dia. Contrate provisoriamente por um a dois anos e observe-o na ambiência acadêmica como é seu desempenho pessoal, acadêmico e social. Depois o contrata em definitivo.

REFLEXÃO FINAL

O perfil do aluno de uma universidade com mestres bem-preparados é muto diferente daquele formado em sua vida acadêmica por uma verdadeira colcha de retalhos em que cada tutor, monitor, mentor, preceptor e especialista deu o seu melhor, mas de forma desordenada e aleatória, sem compromisso para formar pessoas conscientes para agir na sociedade. Na hora de uma avaliação acadêmica, estes alunos acabam em conceitos ruins para a própria escola.

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