UNIÃO

Exposição une fés em Bauru contra a intolerância religiosa

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, ganha um significado especial em Bauru com a realização da exposição inter-religiosa “Respeite o Meu Sagrado”, que segue aberta ao público até esta sexta-feira (23), às 16h, na sede da OAB Bauru (Nações Unidas, quadra 30), com entrada gratuita.

A iniciativa reforça a importância do respeito à diversidade de crenças e da união entre diferentes manifestações de fé no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.

Idealizada pelo Conselho Municipal da Comunidade Negra, em parceria com a OAB Bauru e a Pastoral da Ecologia Integral, a mostra reúne símbolos, objetos e representações de diversas religiões presentes na cidade, como matrizes africanas, cristianismo, espiritismo kardecista, islamismo, judaísmo e tradições indígenas. O objetivo é promover o conhecimento sobre o sagrado do outro como caminho para a convivência respeitosa.

Para Camila Fernandes, presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, a exposição representa um avanço importante para a cidade. “Essa é uma data de reflexão e também de celebração por mais respeito à diversidade das crenças e à liberdade religiosa, independente da religião. Conhecer o sagrado do outro é fundamental para evitar o pré-julgamento e fortalecer o respeito”, afirma.

Segundo Camila, desde o início da atual gestão, o Conselho tem recebido diversas denúncias de racismo religioso em Bauru, principalmente contra terreiros e praticantes das religiões de matriz africana. “Quando falamos em intolerância religiosa, precisamos ter consciência de que o povo preto é o principal alvo desses ataques. Já recebemos relatos de agressões a terreiros, preconceito em escolas e até discriminação em aplicativos de transporte. Isso precisa mudar”, destaca.

A presidente ressalta que a união entre diferentes fés é uma ferramenta essencial nesse combate. “É a primeira vez que conseguimos reunir, em um mesmo espaço, representantes de tantas religiões diferentes. Essa união mostra que é possível dialogar, respeitar e caminhar juntos contra o ódio e o racismo religioso”, pontua.

A programação de abertura contou ainda com apresentações de manifestações de fé e falas de autoridades e lideranças religiosas, encerrando com uma oração universal pela paz. A data também lembra a história de Mãe Gilda de Ogum, vítima de intolerância religiosa na Bahia, que se tornou símbolo nacional da luta contra o racismo religioso.

Com a exposição “Respeite o Meu Sagrado”, Bauru dá um passo importante para ampliar o diálogo inter-religioso e conscientizar a população sobre a necessidade de respeito, tolerância e convivência entre todas as crenças.

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