Há mais de 30 anos atuando pela defesa, conscientização e preservação do meio ambiente, o Centro de Orientação Ambiental Terra Integrada (Coati) de Jundiaí anuncia o Projeto “Água Viva” para 2026, com ações e atividades de educação ambiental sob a perspectiva dos recursos hídricos do município de Itupeva. A entidade propõe dialogar e trabalhar com diferentes setores da sociedade, principalmente professores das redes públicas e particulares, estudantes de escolas públicas e particulares, líderes comunitários, agricultores e moradores de áreas rurais e urbanas, envolvendo a comunidade em ações de educação ambiental e cidadania, durante todo o ano, através de oficinas de qualificação docente, atividades de campo para alunos, workshops de divulgação e sensibilização e organização de banco de dados.
O Projeto Água Viva será desenvolvido com recursos provenientes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e visa criar um impacto duradouro no município, promovendo a conscientização ambiental e fornecendo ferramentas práticas para o monitoramento contínuo da qualidade da água, com a disponibilização de materiais e metodologias para professores e alunos, fortalecendo os processos de ensino-aprendizagem em educação ambiental.
A iniciativa também tem como objetivo ampliar a capacidade de prevenção e adaptação às mudanças climáticas por meio dos processos de educação ambiental e ações de cidadania, com o efetivo envolvimento da comunidade e permanente avaliação da qualidade ambiental e dos recursos hídricos no município de Itupeva; promover a conscientização sobre a importância da qualidade da água para a saúde e o meio ambiente; incentivar a participação ativa da comunidade na preservação ambiental e dos recursos hídricos; capacitar participantes para realizar o monitoramento da qualidade ambiental e das águas; identificar possíveis fontes de contaminação e propor soluções sustentáveis para a comunidade; e criar um banco de dados comunitário sobre a qualidade da água no município.
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“Os desafios para ampliar esse debate (da Educação Ambiental) estão diretamente relacionados ao estilo de vida que adotamos enquanto sociedade. Vivemos um cenário marcado por eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, escassez hídrica recorrente e problemas relacionados à poluição atmosférica. Ainda assim, muitas pessoas acreditam que mudanças individuais exigem grandes sacrifícios, quando, na realidade, pequenas ações cotidianas já geram impactos significativos”, pontua Raquel Carnivalle Silva Melillo, engenheira ambiental e sanitária, com mestrado em Sistemas de Gestão Integrados, doutorado em Ambiente e Sociedade e pós-doutorado em Ciências Ambientais, e coordenadora do Projeto Água Viva.
“Além disso, ao trabalhar essas questões com as crianças e reconhecer que muitas práticas sustentáveis já fazem parte do cotidiano de suas famílias, cria-se um importante reforço positivo. Quando essas ações são valorizadas e legitimadas, elas tendem a se fortalecer e a se multiplicar, ampliando seu alcance para além do espaço escolar. O projeto também se propõe a envolver a comunidade como um todo, entendendo que a educação ambiental só se consolida quando diferentes atores sociais participam do processo. Nesse contexto, a capacitação e o apoio aos professores são fundamentais, pois, diante das demandas do cotidiano, muitas vezes eles acabam reproduzindo práticas já consolidadas. Ao oferecer suporte técnico, metodológico e conteúdo estruturado, o projeto cria condições reais para que novas abordagens sejam implementadas, fortalecendo a educação ambiental como uma prática contínua, integrada e transformadora”, completa Melillo.

A situação da água na Região de Jundiaí
A água é um elemento central na teia da vida, conectando ecossistemas e sustentando a biodiversidade. Apesar de ser um dos recursos naturais mais abundantes, a água disponível para uso humano não chega a 1% do total existente no planeta. O acelerado crescimento populacional e industrial torna a água cada vez mais escassa em diversas regiões do mundo. A poluição limita o uso da água, comprometendo sua qualidade e disponibilidade para as gerações futuras. No Brasil, a abundância de água contrasta com o desperdício e a má gestão, agravando a escassez em diversas regiões.
O município de Itupeva está situado na bacia do Rio Jundiaí, na Região Metropolitana de Jundiaí. Devido ao histórico da ocupação humana (agrícola, urbana e industrial), os rios sofrem um contínuo processo acelerado de degradação, afetando negativamente a qualidade e quantidade de água. E os desafios são muitos, como a falta de ferramentas educativas e de promoção da participação social sobre questões ambientais, e a falta de conhecimento sobre qualidade da água e sua importância para saúde, meio ambiente e abastecimento. Além disso, a qualidade da água depende do uso e ocupação do solo em torno dos mananciais e de toda a bacia hidrográfica.
“Vivemos em uma região que enfrenta, de forma recorrente, períodos de escassez hídrica. Apesar de estarmos em uma das regiões mais privilegiadas do país — o Sudeste, inserido no bioma Mata Atlântica —, trata-se também do bioma mais devastado e impactado pelas mudanças no uso e cobertura do solo, além de ser uma das áreas mais urbanizadas do Brasil. Esses fatores impactam diretamente os recursos hídricos. Já é possível observar, inclusive em áreas de preservação ambiental, como na Serra do Japi e em regiões próximas, nascentes que deixaram de existir ou que passaram a apresentar comportamento intermitente, deixando de ser perenes. Trata-se de uma região em constante crescimento populacional e que carece de abastecimento hídrico, especialmente de água em quantidade e qualidade adequadas para o consumo humano. Trabalhar com recursos hídricos é, portanto, essencial, inclusive do ponto de vista legal, considerando as classes de enquadramento dos corpos d’água e seus usos”, afirma Melillo.
Dessa forma, o Projeto Água Viva chega para permitir um processo formativo consistente, que gere reflexão, compreensão crítica e, principalmente, desdobramentos práticos mais substanciais para toda a comunidade, fortalecendo o aprendizado e sua aplicação no território.
Coati
Fundado em 1º de agosto de 1992, em Jundiaí, o Coati (Centro de Orientação Ambiental Terra Integrada), atua em defesa do meio ambiente e da vida em todas as suas formas. A organização, declarada de Utilidade Pública Municipal em 2015 pela Lei nº 8384/2015, nasceu inspirada pelo espírito da ECO 92 e desde então promove ações de educação ambiental, preservação da biodiversidade e mobilização social, com atuações em diversas áreas, como a Mata Atlântica (Serra do Japi e Juréia/Itatins); gestão de resíduos e poluição do ar; arborização urbana; recursos hídricos; denúncias contra agressões ambientais; e participação em conselhos municipais. Iniciativas que unem conhecimento, cultura e engajamento comunitário e, assim, o Coati segue transformando consciência em atitude — por um planeta mais equilibrado e sustentável.