COLUNISTA

A igreja que cala entrega o país ao mal

Por Hugo Evandro Silveira |
| Tempo de leitura: 4 min
Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril

Estamos em 2026, um ano que define não apenas quem ocupará as cadeiras do palácio, do congresso ou das assembleias, mas qual espírito governará a alma da nossa nação. Como cristãos, estamos diante de um divisor de águas. A máxima popular de que "religião, política e futebol não se discutem" é, talvez, a mentira mais bem-sucedida da história brasileira. Sob o manto de uma falsa paz, entregamos as chaves da nossa cultura e o futuro de nossos filhos nas mãos de quem despreza o que nos é sagrado. O silêncio não gerou respeito; gerou um vácuo. E, como a natureza abomina o vazio, o espaço deixado pelos santos foi prontamente ocupado pela degradação moral e pela corrupção sistêmica.

Quando paramos de discutir política, os maus floresceram na sombra da nossa omissão. Onde não há luz, o mofo avança. Como bem compreendido pelos grandes pensadores da nossa fé, a santidade não é um retiro para as montanhas, mas uma luz que brilha na praça pública. A neutralidade que muitos ostentam como virtude é, na verdade, uma traição silenciosa ao bem comum e uma negação da soberania divina.

Não servimos a um deus tribal, confinado a nichos como os deuses pagãos da antiguidade. O Deus da Escritura é o Senhor da Totalidade. Se Ele criou os céus e a terra, "Não há um centímetro quadrado em toda a extensão da existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não clame: 'É meu!'" - Abraham Kuyper. Ele é o Senhor do Intelecto, pois toda a ciência de governar deriva de Sua sabedoria. Ele é o Senhor da Justiça, e retirá-Lo do debate público é como tentar cegar o Sol para que as trevas pareçam normais. Dizer que a fé é "apenas pessoal" é uma heresia moderna que tenta domesticar a teologia judaico-cristã. Ele é o "Eu Sou", Sua autoridade não para na porta da igreja; ela ecoa nos tribunais, inflama o congresso e deve guiar a mão que vota. Como lembrado por vozes robustas da teologia bíblica, viver sob o senhorio de Cristo significa reconhecer que cada decisão política é, no fundo, uma decisão teológica. Não existe neutralidade em um mundo que pertence inteiramente ao Criador.

Muitos cristãos, em uma tentativa equivocada de "pureza", entregam o mundo ao mal sob o pretexto de não se "contaminarem". Contudo, na economia de Deus, a neutralidade é uma ficção perigosa. Omitir-se diante do erro é, na prática, financiá-lo. As Escrituras são implacáveis: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tiago 4.17). Se você tem a oportunidade de escolher representantes que defendam a vida desde a concepção, a estrutura da família e a liberdade de pregar o Evangelho, e decide lavar as mãos, você não está sendo "espiritual"; está sendo um cúmplice passivo da injustiça. Não há zona neutra: ou somos o sal que preserva a carne da podridão, ou somos terra para ser pisada pelos homens (Mateus 5.13). A omissão é o combustível da tirania.

O medo de "mundanizar" o Reino de Deus paralisou a Igreja por décadas. Precisamos entender que envolver-se na política não é tentar trazer o céu para a terra pelas mãos humanas, mas exercer a Mordomia Cristã. Somos seres políticos por natureza; governamos nossa casa, nossas finanças e nossa conduta. Por que deixaríamos de exercer esse governo na esfera que define as leis que regerão nossa posteridade? A política é um campo de batalha espiritual onde se decide o florescimento ou a asfixia da verdade. É tempo de extirpar a covardia disfarçada de piedade. Pastores e líderes devem compreender que o púlpito não é um bunker de isolamento, mas um centro de treinamento para embaixadores que devem impactar todas as esferas da sociedade. A isenção de impostos ou a aceitação social não valem o preço da nossa consciência cativa à Palavra.

O meu convite a você em 2026 é este: não se deixe enganar pela estratégia de silenciamento. O afastamento dos cristãos é o plano mestre daqueles que odeiam a Deus para ocupar todos os espaços de influência. É hora de ocupar, debater e votar com a mente de Cristo. Se o Senhor reina sobre todos, nossa política deve refletir a Sua glória, e não a nossa covardia. Erga a voz, pois o Rei está observando, e a história cobrará o preço do nosso silêncio ou celebrará a nossa coragem.

IGREJA BATISTA DO ESTORIL

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