Após 2025 registrar o segundo maior número de casos de dengue da história de Bauru, a Prefeitura intensificou as estratégias de enfrentamento à doença com a criação de um Comitê Intersetorial, que reúne diversas secretarias municipais, e com a ampliação do projeto "Aedes do Bem", proposta que utiliza mosquitos geneticamente modificados para controlar a população do vetor. Ainda assim, os munícipes devem permanecer em alerta contra a doença, recomenda a Secretaria Municipal de Saúde que, neste início de ano, informou não ter sido capturado qualquer Aedes aegypti infectado nas armadilhas de monitoramento.
O panorama é do secretário de Saúde, Marcio Cidade Gomes, que considera positivos os indicadores iniciais de 2026. Contribui para o prognóstico favorável o grande número de pessoas infectadas em 2025, o que pode resultar em imunidade, neste ano, ao sorotipo contraído.
NÚMEROS
Em 2025, Bauru registrou cerca de 16.550 casos confirmados de dengue e 12 óbitos, superando 2024, quando foram contabilizados 15.768 casos e 11 mortes. Apesar desse histórico recente, o município inicia 2026 sem casos confirmados e sem pacientes internados pela doença. O ano com maior incidência da história foi 2019, quando foram registrados 26.241 casos e 39 óbitos pela doença.
Já em 2026, segundo Marcio Cidade Gomes, a curva epidemiológica apresenta um comportamento diferente do observado no ano passado. Em janeiro de 2025, o número de casos já demonstrava uma elevação mais acentuada, o que não se repete agora. A expectativa é que, se houver aumento em 2026, ele ocorra mais adiante, entre março e abril, o que tende a reduzir a intensidade de uma eventual epidemia. "Quanto mais tarde essa curva subir, menor costuma ser o impacto", avaliou.
As condições do tempo também têm colaborado. O início do ano foi marcado por temperaturas menos extremas e ausência de chuvas diárias, fatores menos favoráveis à proliferação do Aedes aegypti. Ainda assim, a Secretaria reforça que o período crítico da dengue vai até junho.
AÇÕES
Após o cenário crítico de 2025, a Prefeitura criou o Comitê Intersetorial de Enfrentamento às Arboviroses, reunindo diversas secretarias municipais. A proposta é integrar ações, compartilhar informações e organizar estratégias conjuntas, como mutirões de limpeza e apoio logístico às equipes de saúde.
O comitê terá reuniões mensais e atua como reforço permanente às medidas de prevenção, ampliando a capacidade de resposta do município diante de possíveis novos focos da doença. Tanto que a pasta mantém a rotina de visitas casa a casa, vistorias em imóveis, monitoramento semanal por meio das semanas epidemiológicas e atuação imediata em áreas onde surgem casos suspeitos.
TÉCNICA
Entre as estratégias mantidas e reforçadas para 2026 está o projeto "Aedes do Bem", que apresentou resultados positivos no ano passado e, por isso, será ampliado na cidade para outros bairros ainda não definidos. O programa utiliza mosquitos geneticamente modificados ou infectados com a bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão do vírus.
No meio de 2025, os mosquitos foram liberados nos bairros Gasparini, Jardim Helena e Núcleo Habitacional Vanuire, escolhidos por serem áreas mais isoladas, o que permite uma análise mais precisa dos resultados. O processo começa em pequenas caixas enviadas pela empresa responsável, contendo ovos do mosquito. Após a adição de água, os ovos eclodem e se desenvolvem.
As fêmeas transgênicas não chegam à fase adulta. Os machos, por sua vez, se reproduzem com as fêmeas transmissoras da dengue e, devido à modificação genética, apenas machos vingam nas gerações seguintes. "O macho não transmite o vírus. A ideia é reduzir a quantidade de mosquitos fêmea, que são as transmissoras da dengue", explicou Gomes.
Apesar do cenário inicial considerado promissor, a orientação à população permanece a mesma. "O principal foco do mosquito continua sendo dentro das casas", reforçou o secretário. Recipientes com água parada, caixas d'água destampadas, vasos e qualquer local que acumule água limpa seguem como os principais criadouros.
A mensagem é de cautela: Bauru começa 2026 em condições melhores do que em anos anteriores, mas o combate à dengue precisa ser diário, integrado e coletivo para que o ano, de fato, seja menos grave.