A chegada da primavera costuma ser associada a dias mais longos, temperaturas agradáveis e ao espetáculo de cores trazido pelas flores e árvores em pleno florescimento. No entanto, para muitas pessoas, também marca o início de uma temporada menos agradável: a das alergias típicas da época.
De acordo o otorrinolaringologista Renato Roithmann, a troca de estação em si já aumenta o risco de alergias respiratórias, devido às variações de temperatura, umidade, pressão atmosférica, ventos. No caso da primavera, há ainda outro agravante: o aumento da concentração de pólen do ar. A dispersão desse composto pelo vento afeta as mucosas e vias aéreas, sendo capaz de desencadear crises alérgicas.
"A diferença de um quadro de rinite alérgica para outros problemas respiratórios, como gripe, Covid-19 ou sinusite, é que nos três últimos, o agente é infeccioso e há presença de sintomas como febre, dor no corpo, dor de garganta e rouquidão. Já a rinite alérgica é uma inflamação da mucosa que reveste o nariz, causada pelo contato com um alérgeno como poeira, pelo de animal, pólen e fungo", explica Roithmann.
Os sintomas mais comuns da alergia são espirros frequentes e em sequência, congestão ou coriza, coceira na garganta, nariz e olhos, olhos vermelhos e lacrimejamento excessivo e sensação de cansaço ou dificuldade de concentração.
Ao contrário do resfriado, as alergias não provocam febre nem dores musculares, e podem durar várias semanas ou até meses, enquanto persistir a temporada de pólen.
Atenção redobrada
Para quem convive com a rinite de forma crônica, o cuidado deve ser constante. Mas, mesmo para aqueles que sofrem apenas de alergias sazonais, a prevenção é fundamental.
"A rinite é um quadro permanente de inflamação. Se não houver tratamento adequado, os sintomas vão se repetir e prejudicar a qualidade de vida", diz Roithmann.
Sinais que acendem o alerta

As alergias
São frequentemente confundidas com resfriados, mas apresentam características próprias. Entre os sintomas mais recorrentes estão espirros em sequência; coceira nos olhos, nariz e garganta; nariz entupido e coriza; olhos vermelhos e lacrimejantes; sensação de cansaço ou dificuldade de concentração. Diferente da gripe ou de resfriados, os quadros alérgicos não costumam causar febre ou dores musculares. E, enquanto os sintomas de uma infecção viral tendem a durar poucos dias, as alergias podem se estender por várias semanas ou até todo o período de floração.
Impacto na vida
Apesar de não serem consideradas doenças graves, as alergias respiratórias podem prejudicar significativamente o dia a dia. "Se não tratada, a rinite pode atrapalhar o sono, o rendimento escolar das crianças, o desempenho no trabalho dos adultos, a prática de atividades físicas e a qualidade de vida do indivíduo de forma geral", alerta Roithmann. Além disso, o quadro pode evoluir para complicações, como crises de asma e conjuntivite alérgica.
Como se prevenir
O presidente da ABORL-CCF destaca que, embora não seja possível eliminar totalmente os alérgenos do ambiente, algumas medidas ajudam a reduzir a exposição e minimizar os sintomas. Entre elas estão acompanhar os níveis de pólen, evitando sair em horários críticos, manter janelas fechadas, higienizar o ambiente, trocar de roupa e tomar banho ao chegar da rua, usar óculos de sol e aumentar a frequência dos banhos em animais de estimação.
Lavagem nasal
Segundo Roithmann, a prática com soro fisiológico é uma medida simples e eficaz. Em pacientes com rinite crônica, deve ser feita ao longo de todo o ano; já aqueles que apresentam sintomas somente na primavera podem manter o hábito durante a estação.
Medicamentos
Em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos específicos para rinite alérgica, como sprays nasais e comprimidos prescritos por médicos. O especialista reforça que o tratamento deve ser contínuo e o uso indiscriminado de descongestionantes nasais não é indicado, já que pode causar dependência.