No calendário das profissões, 18 de outubro é o dia em que o Brasil saúda os médicos — data que, no Estado de São Paulo, foi formalizada por iniciativa do saudoso médico e deputado estadual bauruense Abrahim Dabus. O projeto de lei de sua autoria (PL 410/1971) instituiu a data como o “Dia do Médico” no âmbito estadual, gesto que reforçou a ligação entre sua formação profissional e sua atuação pública.
Abrahim Dabus nasceu em Avaré, formou-se em Medicina e consolidou carreira como obstetra e referência na área da saúde em Bauru, cidade que o adotou como um dos seus nomes ilustres. Na política, foi eleito deputado estadual por quatro legislaturas (1971–1986), em famosas dobradinhas políticas com o ex-deputado federal e ex-prefeito de Bauru Alcides Franciscato.
A trajetória de Dabus mistura consultórios e plenário. Médico por vocação e parlamentar por escolha, ele levou a experiência clínica para a elaboração de políticas públicas e iniciativas simbólicas — como a oficialização do dia em homenagem à profissão — que buscavam reconhecer a dedicação dos profissionais à saúde da população. A proposta que originou o PL 410/1971 é um exemplo de como legisladores médicos podem transformar vivência profissional em legislação de reconhecimento.
Dabus faleceu em 15 de fevereiro de 2015, aos 89 anos, no Hospital Beneficência Portuguesa, em Bauru. A Assembleia Legislativa de São Paulo e entidades médicas destacaram, na ocasião, seu papel como médico e como figura pública que contribuiu para a saúde pública regional.
Por que 18 de outubro?
A escolha de 18 de outubro como data de celebração dos médicos é tradicionalmente ligada à lembrança de São Lucas, padroeiro da Medicina, e já vinha sendo adotada por associações médicas e cerimônias no país antes da formalização estadual. A iniciativa legislativa de Dabus consolidou essa data no âmbito paulista, ajudando a institucionalizar homenagens e ações de reconhecimento aos profissionais de saúde.
Memória e reconhecimento
Na cidade que o acolheu, o nome de Abrahim Dabus permanece presente em relatos da comunidade médica e em registros locais que lembram sua atuação tanto como obstetra quanto como articulador político. Em datas como o Dia do Médico, colegas, entidades e instituições de saúde costumam remeter ao legado de profissionais como Dabus para reafirmar laços entre formação, serviço e cidadania.
Reflexão atual
Hoje, quando o sistema de saúde enfrenta desafios crescentes — da formação ao trabalho em unidades públicas — lembrar a trajetória de médicos que atuaram também na arena pública ajuda a contextualizar debates sobre valorização profissional, políticas de saúde e reconhecimento social. A lembrança de que a oficialização de um dia para homenagear a categoria partiu de um médico-legislador bauruense é, para muitos, motivo de orgulho local e de inspiração para novas iniciativas.