POLÍTICA

A um ano da eleição, busca do voto não pode ser 'corrida maluca'

da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Kleber, durante palestra no Congresso Estadual de Municípios
Kleber, durante palestra no Congresso Estadual de Municípios

Em 4 de outubro de 2026, quase 160 milhões de brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, dois senadores por estado, deputados federais e estaduais. Parece distante, mas para os especialistas o calendário da política não corre no mesmo ritmo do relógio comum: a eleição já começou.

"Quem acreditar que a campanha se resume aos 45 dias oficiais de propaganda está condenado a começar perdendo", afirma o consultor político e estrategista de campanha Kleber Santos, especialista em neurociência política. "Eleição não se improvisa, se constrói. E a construção começa hoje."

Em várias regiões, Bauru entre elas, eleitores reclamam que raramente conseguem eleger deputados locais. A queixa se repete: há tantos candidatos da mesma área que os votos se fragmentam, permitindo que nomes de fora levem a vaga.

Para Kleber Santos, esse cenário comprova a importância da diferenciação. "O candidato que começar a trabalhar desde já tem chance de furar essa bolha. Ele precisa se destacar, conquistar espaço na mente e no coração do eleitor, para se tornar a única alternativa. Quando o voto cria identificação, conexão e confiança, ninguém tira. Mesmo em disputas com muitos concorrentes, ele consegue se eleger."

Estratégia é 'empresarial'

Segundo o consultor, campanhas eleitorais bem-sucedidas se parecem com estratégias corporativas. "É preciso cronograma de prazos, ações planejadas, treinamento de equipe, análise da concorrência e estudo profundo sobre o eleitor. Não basta saber o que o candidato quer falar. É preciso descobrir o que realmente preocupa o eleitor e assumir o compromisso do que é viável e satisfatório aos olhos dele", explica.

Outro ponto crítico neste momento é a escolha do partido. A decisão, além de ideológica deve levar em conta o quociente eleitoral, o fundo partidário e a identificação com os segmentos do eleitorado que se deseja conquistar. "Uma filiação equivocada pode ser o começo da derrota. Já a escolha correta amplia muito as chances de vitória", avalia.

Emoção primeiro, razão depois

Estudos de neurociência mostram que a decisão inicial do voto é 90% emocional e 10% racional. Nesse ponto, ele faz um alerta sobre a onda do "candidato TikToker". "As pesquisas recentes já indicam que essa fase de fazer qualquer coisa para aparecer já saturou. O eleitor não quer apenas espetáculo. Ele precisa sentir emoção, mas também exige conteúdo consistente. A fórmula é simples: emocionar para entrar na mente, entregar substância para permanecer no coração."

Inteligência artificial

O tabuleiro eleitoral ganhou uma peça nova: a inteligência artificial. Para o especialista, a IA se tornou indispensável. "É como um novo membro da equipe. Ela permite analisar tendências em tempo real, mapear o que preocupa o eleitor, simular cenários de crise, testar slogans e medir impacto emocional. Não substitui o olho humano, mas amplia a visão e a precisão estratégica", explica.

Preparação pessoal

Não basta ter boas propostas: no mundo digital, cada gesto é interpretado. Kleber defende que os próximos meses sejam usados também para o aperfeiçoamento pessoal dos candidatos. "É hora de cuidar da dicção, da postura, das microexpressões e da comunicação não verbal. Em uma tela de celular, tudo é visto e tudo é julgado. Muitas vezes não é o que o candidato diz, mas como ele se apresenta e age, que define a percepção do eleitor."

12 meses decisivos

Kleber Santos define este período como um campo de treino. "É agora que se decide quem estará competitivo quando a largada oficial for dada. Quem esperar o ano que vem pode ser atropelado pelo calendário."

Ele resume em uma frase: campanha oficial é chegada, não largada. Quem só começa lá já perdeu a corrida."

Comentários

Comentários