DESVIOS FINANCEIROS

Suspeitos de rombo na Apae Bauru serão ouvidos no Fórum

Por Bruno Freitas | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo JC
Unidade de atendimentos à população da Apae Bauru
Unidade de atendimentos à população da Apae Bauru

Os investigados pelo Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold) da Polícia Civil pelo rombo financeiro de ao menos R$ 7,5 milhões, nos últimos cinco anos, na Apae Bauru serão ouvidos pela 1ª Vara Criminal de Bauru, a partir desta sexta-feira (17).
Esses desvios foram cometidos, segundo o Seccold, por Claudia Regina Lobo (R$ 1,8 milhão), ex-secretária-executiva da entidade — morta pelo ex-presidente da Apae, Roberto Franceschetti Filho (R$ 5,8 milhões) —, também suspeito de subtrair grandes valores, assim como familiares de Claudia, entre eles o ex-marido e a filha.

A Polícia Civil informou que os suspeitos se referiam aos valores como “adiantamento a fornecedores”. Esse foi o gatilho para uma disputa de poder que originou o assassinato, segundo o inquérito policial.

Recentemente, conforme o JCNET noticiou em primeira mão no dia 28 de agosto, o juiz Jair Antonio Pena Júnior, da 1ª Vara Criminal de Bauru, devolveu à Polícia Civil o processo que apura o rombo milionário na Apae. À época, segundo decisão do magistrado, os autos referentes ao suposto “crime do colarinho branco”, como é popularmente conhecido o delito, “carecem tanto de lógica quanto de clareza”.

O juiz descreveu ainda a apuração como uma “fishing expedition” (pesca probatória), ou seja, uma busca especulativa por provas. Na avaliação dele, foi apresentado “um emaranhado de documentos” que não permitia considerar as investigações concluídas.

Cerca de dois meses depois, o Seccold finalizou o relatório, tornando o texto mais claro e lógico, e o Fórum de Bauru agora receberá os investigados.

Relembre o caso

Investigações do Seccold apontaram que, em cinco anos, ao menos R$ 7,5 milhões foram desviados dos cofres da Apae Bauru. Desse total, R$ 5,8 milhões teriam sido retirados pelo ex-presidente da entidade, Roberto Franceschetti Filho, e R$ 1,8 milhão por Claudia Lobo.

Além do ex-presidente, outros oito réus respondem no processo, incluindo familiares de Claudia, supostamente beneficiados pelos desvios. Eles são acusados de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Seccold, os crimes envolveram superfaturamento de contratos, emissão de notas frias, pagamento de salários a funcionários fantasmas, empréstimos de dinheiro da entidade a terceiros com cobrança de juros, uso de conta paralela para movimentação de recursos e transferências lançadas na contabilidade como bonificações ou “adiantamentos a fornecedores”.

Material apreendido com os investigados em dezembro de 2024 (foto: Douglas Willian)
Material apreendido com os investigados em dezembro de 2024 (foto: Douglas Willian)
Material apreendido com os investigados em dezembro de 2024 (foto: Douglas Willian)
Material apreendido com os investigados em dezembro de 2024 (foto: Douglas Willian)

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