O sol tem rendido bons frutos em Bauru. Em apenas cinco anos, o número de sistemas de energia solar instalados na cidade saltou de 987 em 2020 para 8.485 até setembro de 2025, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), um crescimento de mais de 750%. Do total, 7.612 são conexões instaladas em imóveis residenciais.
A tendência acompanha o avanço registrado em todo o Estado de São Paulo, onde o total de conexões fotovoltaicas passou de 59 mil para mais de 630 mil no mesmo período. O aumento expressivo reflete o interesse de famílias e empresas em reduzir os gastos com eletricidade, valorizar imóveis e adotar práticas mais sustentáveis.

Com equipamentos mais acessíveis e linhas de crédito específicas, o investimento em painéis solares deixou de ser exclusividade de grandes propriedades e passou a alcançar também condomínios e apartamentos. Mas a expansão vem acompanhada de mudanças regulatórias importantes.
Desde 2023, com a criação do novo marco legal da microgeração e da minigeração distribuída, o setor vive um período de transição que deve ser compreendido por quem pretende investir neste tipo de sistema. Além disso, é essencial entender como funcionam as modalidades disponíveis - inclusive para quem mora em apartamento, as opções para gerar ou armazenar energia, custos médios de instalação e o prazo de retorno do investimento.
ENERGIA SOLAR EM APARTAMENTO
O condomínio pode instalar os painéis em áreas comuns (telhado, lajes, cobertura) e a energia gerada é repartida entre os apartamentos, proporcionalmente. Outra modalidade é o autoconsumo remoto, em que o excedente produzido por um sistema instalado em uma casa pode ser cedido em forma de créditos na conta de energia de um apartamento, desde que as duas unidades consumidoras estejam na área de abrangência da mesma distribuidora de energia e as faturas estejam no nome da mesma pessoa.
SISTEMA FOTOVOLTAICO TÍPICO
Está conectado à rede elétrica da distribuidora (on-grid) e não armazena energia por meio de baterias. Os painéis solares geram energia durante o dia e o que não for consumido é injetado na rede da concessionária, com recebimento de créditos para uso quando produção própria não for suficiente, como no período noturno e em dias nublados.
INDEPENDÊNCIA DA CONCESSIONÁRIA
Para eliminar a dependência da concessionária, é necessário obter um sistema com armazenamento por meio de baterias. Assim, parte da energia gerada durante o dia pode ser guardada e consumida quando a geração solar for baixa ou inexistente. Contudo, há custos adicionais importantes com a aquisição e manutenção das baterias, que têm vida útil menor que a dos painéis solares.
INVESTIMENTO E PRAZO DE RETORNO
Estimativas podem variar dependendo do nível de insolação, custo da energia elétrica, orientação do telhado, entre outros fatores. Mas, em média, o custo de instalação para um imóvel que consome, em média, 400 kWh por mês fica em torno de R$ 22 mil a R$ 35 mil. Com um bom aproveitamento dos créditos gerados, a economia mensal pode oscilar de R$ 300,00 a R$ 400,00. Vale destacar que valores fixos da fatura de energia, como taxa de iluminação pública e tarifas mínimas, continuarão sendo cobrados. Assim, o prazo de retorno do investimento (payback) varia de três a cinco anos.
TRANSIÇÃO LEGAL EM CURSO
O setor passa por uma fase de transição com a Lei 14.300/2022, que criou o novo marco legal da microgeração e da minigeração distribuída. Uma das principais alterações é a cobrança da chamada taxa do Fio B, sobre a energia injetada na rede por novos sistemas de energia solar a partir de 2023. Projetos instalados antes de janeiro de 2023 não serão atingidos pela mudança até 2045, enquanto novas instalações são afetadas pelas compensações de forma escalonada até 2029. Na prática, a energia excedente continuará gerando créditos, mas estes serão compensados de forma parcial conforme o avanço da transição. A partir de 2029, a Aneel implementará as regras definitivas de compensação.