Na última semana, dezenas de repúblicas da cidade enfrentaram o que é possível chamar de "a quinta-feira mais amarga — e não por falta de açúcar". Chegou ao fim uma ‘tradição’: a famosa promoção de esfirras doces em dobro.
Nas redes sociais, o clima era de sofrência coletiva. Mas a galera da República Pindura não quis apenas lamentar — eles decidiram se despedir do combo de um jeito mais épico: pedindo 74 esfihas de chocolate de uma vez só.
Resultado? Ajudaram a acabar com a massa e o chocolate da esfiharia. O delivery, que normalmente vinha de moto, teve que ser feito de carro.
“Quando começamos com essa tradição, a massa era retangular, nem triangular como hoje”, conta João Vitor Segura, conhecido como Lisa entre os colegas.
Na última quinta-feira de promoção, os 17 moradores da república resolveram "honrar o legado" e capricharam: teve gente pedindo até 10 promoções individuais. Um recorde digno de nota, como esta aqui.
Mas as esfirras não eram só um docinho de quinta. Segundo Lisa, elas viraram rito sagrado da república. “Por ser um ambiente compartilhado, muitas vezes a gente tem de se reunir para discutir pautas sérias. Mas as quintas-feiras eram diferentes e divertidas. A casa se reunia por um bem maior. Chegou uma hora que a gente pedia não mais pela vontade, mas pela tradição”, explica.
E nem sempre era só por lazer: às vezes, a promoção era o refúgio dos bolsos vazios. “Quando alguém estava sem grana, a esfirra de chocolate virava o jantar”, acrescenta. Era barata, era doce e dava conta do recado.
Do outro lado da fornada, Marília Marques, sócia da Esfiharia Libanesa, confirma o fim da promoção, mas garante que foi com emoção. “Na última quinta de combo, batemos nosso recorde: 1.364 esfihas de chocolate vendidas”, afirma. O recorde anterior era pouco mais da metade. Acabou a massa, acabou o chocolate... só não acabou o carinho pelos nossos clientes, admite ela.
Segundo Marília, o aviso do fim foi dado com uma semana de antecedência, mas nem isso preparou a equipe para a enxurrada de pedidos. “A gente sempre soube que os universitários curtiam nossos produtos, mas não tínhamos ideia de que a ligação era tão afetiva. Fomos surpreendidos”.
Para muita gente em Bauru, toda quinta-feira vai continuar tendo gosto de esfirra de chocolate — mesmo que só na memória (ou no feed de saudade do Instagram).