EM BAURU

Batalha atinge nível crítico, DAE mantém captação, mas falta água

Por Guilherme Matos | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Lagoa de captação estava desta forma desoladora ontem, mas o DAE informa que faz manobras para manter nível mínimo
Lagoa de captação estava desta forma desoladora ontem, mas o DAE informa que faz manobras para manter nível mínimo

A lagoa de captação do Rio Batalha se aproximou do 1,30m na tarde desta quinta-feira (25), um nível crítico que poderia interromper o funcionamento das bombas e o abastecimento de água para cerca de 100 mil moradores de Bauru. O Departamento de Água e Esgoto (DAE), porém, informa que adotou um conjunto de ações que permitiram a recarga do manancial, mesmo sem chuvas. No entanto, a falta total de água é uma realidade há cerca de uma semana para moradores da Vila Pacífico e do Jardim Ouro Verde.

O JCNET acompanhou o volume de água na lagoa de captação durante esta quinta-feira. O nível ficou preocupante às 14h28, quando atingiu o 1,45m. Ou seja, a 15 centímetros da interrupção completa do fornecimento de água. No entanto, a partir desse momento, a lagoa passou a recuperar volume e chegou a 1,79m, às 18h53.

O presidente do DAE afirmou que a autarquia adota um conjunto de medidas técnicas para impedir que o nível do Rio Batalha chegue ao limite de 1,30 m. Segundo João Carlos Viegas, a estratégia envolve um acompanhamento constante do comportamento do rio, com intervenções variadas conforme a necessidade.

"Não existe um único procedimento. Monitoramos 24 horas por dia e, a cada oscilação, aplicamos uma compensação para manter o equilíbrio. São ações preventivas e diversificadas, que garantem que o nível não atinja o ponto crítico", explicou.

Apesar do controle do nível do Batalha, bairros da cidade enfrentam desabastecimento total. Moradora da Vila Pacífico, Letícia Silva relatou que a região está sem água há quase uma semana. "Pedi caminhão-pipa, tenho protocolo, mas ele não veio. Estamos sem banheiro, sem poder cozinhar. Preciso sair para almoçar fora e tomar banho na casa de amigos. Meus vizinhos com idosos e crianças estão na mesma situação", contou.

Uma outra moradora do bairro também enfrenta uma situação semelhante. Essa outra mulher, porém, precisou alugar um Airbnb em outro bairro para poder manter sua rotina com água. "Último dia do nosso abastecimento foi na quinta-feira passada (18). Era pra vir sábado (20), segunda (22) e quarta (24), mas não veio. Precisei alugar um Airbnb na terça para poder tomar banho. Não conseguimos nem lavar roupa", narra.

No Jardim Ouro Verde, moradores afirmam que o problema se repete. "Hoje era para chegar água, mas só vieram gotas, que não encheram a caixa. Depois desligaram de novo. É muito descaso", disse uma moradora.

O presidente do DAE reconheceu as falhas na distribuição e atribuiu o problema à sobrecarga no atendimento. A frota atual é de 10 caminhões-pipa, mas a demanda disparou após o vendaval da última semana, que comprometeu o fornecimento de energia em diversos bairros e aumentou os pedidos emergenciais.

"Estamos priorizando escolas, hospitais e unidades de saúde, mas sabemos que a população também precisa. Até segunda-feira (29) a demanda deverá ser reequilibrada", garantiu.

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