SAÚDE

Valorização do corpo provoca crescimento de academias em Bauru

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Unsplash/Divulgação
Bauru vive uma explosão no mercado de academias
Bauru vive uma explosão no mercado de academias

Bauru vive uma explosão no mercado de academias. Somente 2025, 43 estabelecimentos foram inaugurados na cidade, uma média de um empreendimento a cada semana. O número representa quase o dobro do registrado em todo o ano passado (22) e quase três vezes o contabilizado em 2021 (16).

A alta acompanha uma transformação cultural liderada pela geração Z, formada por jovens nascidos entre 1995 e 2010, que têm no cuidado com o corpo um novo símbolo de status. Se, entre os millennials, cabia trocar a noite pelo dia em festas regadas a álcool, a rotina dos mais novos mostra outra lógica.

Dados do Relatório Covitel de 2023 revelam que só 8,1% dos jovens de 18 a 24 anos consomem bebidas alcoólicas três ou mais vezes por semana, índice inferior ao de faixas etárias mais velhas, de 45 a 64 anos. Outra pesquisa recente, da consultoria MindMiners, aponta que 55% deles não bebem, o maior percentual entre todos os grupos de idade.

O mercado tem reagido rapidamente. Segundo o Anuário da Cerveja 2025, a produção de cerveja sem álcool no Brasil cresceu 536,9% em 2024. Paralelamente, academias, clínicas de estética e lojas de suplementos ampliaram presença em cidades como Bauru. O fenômeno tem relação direta com a forma como a geração Z passou a enxergar o sucesso.


Professora Jessica de Cássia Rossi (Foto: Arquivo Pessoal)

"Ela tem mais consciência sobre a importância de cuidar da saúde física e mental, até por ter passado por situações intensas como a pandemia de Covid-19 e instabilidades econômicas. Com muito acesso à informação, também é preocupada com alimentação saudável e sustentabilidade", afirma a professora da Unisagrado Jessica de Cássia Rossi, pesquisadora em comunicação e ciências sociais.

A crise sanitária, aliás, foi definitiva para a aceleração desta mudança, com impactos também sobre os hábitos de socialização. Em Bauru, festas diurnas se multiplicaram e casas tradicionais passaram a abrir e encerrar o expediente mais cedo, já que os frequentadores preferem chegar ao dia seguinte com energia para treinos e uma rotina de autocuidado.

INFLUÊNCIA

O fator econômico e a intensificação das interações sociais por meio digital, contudo, também pesam. "Essa geração não tem o mesmo poder aquisitivo das anteriores, por conta de instabilidades econômicas e mudanças nas relações trabalhistas. Além disso, tem muitas de suas necessidades atendidas por meio das redes sociais, aplicativos e plataformas de streaming. Então, muito do que conhecem sobre a realidade vem por meio destas ferramentas, em particular a partir da figura dos influenciadores, que estimulam, muitas vezes, o consumo de produtos do mercado wellness", detalha.

Assim, se antes ostentar uma marca de luxo era o sinal mais evidente de sucesso, hoje o que distingue os jovens é o acesso ao tempo livre, um privilégio no qual é possível buscar alcançar um corpo considerado esteticamente ideal, seja por meio de atividades físicas ou da realização de procedimentos estéticos.

Neste cenário, os influenciadores digitais ganham papel central, afirma a professora. "Eles exercem grande poder e se tornam referências de pessoas bem-sucedidas. O culto a uma vida fitness, com consumo de produtos saudáveis, tem sido uma nova forma de ostentação, um novo símbolo de status", observa a pesquisadora.

Riscos

Esse movimento liderado pela geração Z, embora positivo por estimular um estilo de vida mais saudável, pode gerar impactos negativos, como o foco excessivo em um padrão de beleza irreal, com desencadeamento de distúrbios alimentares ou estímulo ao uso irrestrito das chamadas 'canetas emagrecedoras' e de esteroides anabolizantes.

Para a professora Jessica de Cássia Rossi, a pressão social por se encaixar em padrões também pode provocar sofrimento a quem não se sente pertencente. Outro desafio é lidar com a percepção da realidade moldada pelas redes sociais.

"O que vemos online é uma vida editada, que não mostra a complexidade humana. O jovem precisa ter referências de família, escola e pessoas próximas. Caso contrário, pode ficar mais despreparado para lidar com frustrações e mais intolerante às diferenças", diz.

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  • Pratico atividades físicas cinco vezes por semana pela saúde e pela estética também Pedro de Oliveira Santos, 18 anos, estudante. (Foto: Vivian Ferreira)
    Pratico atividades físicas cinco vezes por semana pela saúde e pela estética também Pedro de Oliveira Santos, 18 anos, estudante. (Foto: Vivian Ferreira)
  • Pratico futevôlei e musculação. É muito bom para minha rotina porque me dá força e energia para trabalhar Caio Ferrari, 23 anos, professor de educação física (Fotos: Vivian Ferreira)
    Pratico futevôlei e musculação. É muito bom para minha rotina porque me dá força e energia para trabalhar Caio Ferrari, 23 anos, professor de educação física (Fotos: Vivian Ferreira)
  • Faço academia e corrida. Para mim, é importante para o fortalecimento, longevidade, controle da ansiedade e estética também Isadora Caioti, 28 anos, estudante (Fotos: Vivian Ferreira)
    Faço academia e corrida. Para mim, é importante para o fortalecimento, longevidade, controle da ansiedade e estética também Isadora Caioti, 28 anos, estudante (Fotos: Vivian Ferreira)
  • Não pratico atividades físicas porque minha rotina é muito corrida. Não dá tempo Lara Shellsy Garcia, 18 anos, estudante (Fotos: Vivian Ferreira)
    Não pratico atividades físicas porque minha rotina é muito corrida. Não dá tempo Lara Shellsy Garcia, 18 anos, estudante (Fotos: Vivian Ferreira)
  • Costumo pular corda pela manhã, o que me ajuda a ficar mais disposta durante o dia, além de ajudar no meu rendimento e fazer bem para o corpo Rafaella Capeline, 18 anos, estudante (Foto: Vivian Ferreira)
    Costumo pular corda pela manhã, o que me ajuda a ficar mais disposta durante o dia, além de ajudar no meu rendimento e fazer bem para o corpo Rafaella Capeline, 18 anos, estudante (Foto: Vivian Ferreira)
  • Faço jiu-jitsu. Não só meu corpo, mas minha mente fica mais leve. Eu me sinto bem e me ajudou a tratar a depressão Nayana Barbosa, 29 anos, atendente (Foto: Vivian Ferreira)
    Faço jiu-jitsu. Não só meu corpo, mas minha mente fica mais leve. Eu me sinto bem e me ajudou a tratar a depressão Nayana Barbosa, 29 anos, atendente (Foto: Vivian Ferreira)

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