Ocean Robbins, cofundador e CEO da Food Revolution Network, cresceu em um ambiente muito distante da alimentação industrializada. Neto de um empresário que fez fortuna com sorvetes, ele viu seu pai renunciar ao dinheiro da família para viver de forma simples em uma cabana na costa canadense, cultivando os próprios alimentos.
"Aprendi desde cedo que a comida não serve apenas para matar a fome, ela pode estar cheia de nutrientes, sabor e conexão com a terra", disse.
Hoje, aos 51 anos, ele mantém hábitos ligados a essa origem: cultiva horta em casa, anda de bicicleta, pratica jardinagem, medita e faz ioga.
Autor do livro "Os Verdadeiros Superalimentos" (Editora Cultrix), no qual disseca 13 alimentos ricos em nutrientes e apresenta 60 receitas, Robbins reforça a importância de escolhas conscientes.
"Os alimentos frescos, minimamente processados e cultivados em solo saudável não são apenas melhores para o nosso corpo, mas também para o planeta. Isso não é uma moda passageira, é parte da construção de uma cultura alimentar capaz de sustentar as próximas gerações."
Na rotina, ele evita industrializados, carne e laticínios. Costuma fazer três refeições ao dia, sem beliscar entre elas.
O cardápio inclui aveia com mirtilos, nozes, sementes e café sem açúcar no café da manhã; legumes, folhas verdes, ervas e especiarias no almoço; e jantares com batata-doce, grãos integrais, cogumelos e verduras no vapor. Os doces aparecem apenas de forma ocasional.
"Ainda mantenho os doces como um agrado ocasional, não um hábito diário. Na maior parte do tempo, mato a vontade com frutas frescas ou congeladas."
O escritor lembra que parte da família morreu jovem, vítima de doenças cardíacas, e aponta açúcar e ultraprocessados como fator de risco.
Para ele, os superalimentos podem reduzir inflamações, proteger o coração e o cérebro e ajudar na prevenção de doenças, mas não fazem milagres.
Robbins elege a batata-doce como a mais especial, por ser acessível, versátil e rica em nutrientes. Ele também elogia o açaí, rico em antioxidantes, e defende maior valorização do feijão, que considera subestimado.
Os queridinhos
VERDURAS
"O almoço inclui folhas verdes, leguminosas, ervas e especiarias - às vezes com cebola e alho."
COGUMELOS
"O jantar pode ter batata-doce, grãos integrais, cogumelos, leguminosas, verduras no vapor, ervas e especiarias."
BATATA-DOCE
"Batata-doce é acessível, versátil e rica em nutrientes - cheia de fibras, antioxidantes e betacaroteno. É um alimento básico em algumas das culturas mais longevas do mundo - e ainda por cima, é deliciosa."
CAFÉ, AVEIA, FRUTAS VERMELHAS, NOZES E SEMENTES
"O café da manhã é mingau de aveia com mirtilos congelados, além de nozes e sementes, e café com leite de soja sem açúcar.
LEGUMINOSAS (FEIJÃO) E ALHO
"O almoço geralmente inclui folhas verdes, leguminosas, ervas e especiarias - às vezes com cebola e alho. O Feijão, em muitos lugares, é visto como uma comida simples, do dia a dia. Mas é rico em fibras, proteína vegetal, minerais e antioxidantes. No livro, destaco o feijão como um dos alimentos mais subestimados quando se trata de promover a saúde".
AÇAÍ
"Eu adoro açaí. Ele é rico em antocianinas - antioxidantes que ajudam a proteger as células contra danos - além de conter gorduras saudáveis e fibras. No Brasil, vocês têm a vantagem de consumi-lo em sua forma pura. Só recomendaria ficar atento às versões com muito açúcar adicionado, que podem comprometer parte dos benefícios."
TOMATE
"Costumo desejar coisas: frutas vermelhas frescas, tomates maduros ou batata-doce assada."
ALGAS (dulse, nori, etc.)
"Acho que algumas variedades de algas - como dulse ou nori - estão ganhando mais atenção. Elas são ricas em minerais, incluindo iodo, e podem ser uma fonte de alimento sustentável para o futuro."