O vice-prefeito de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), Joãozinho da Farmácia, usou suas redes sociais para demonstrar indignação diante da morte de um morador da cidade de 16 anos com cardiopatia congênita que não foi atendido pelo Samu, após a família ligar para a regulação do serviço em Bauru. De acordo com o político, esta seria a segunda morte em menos de dois meses na cidade após negativa de socorro por parte da central.
O caso mais recente foi registrado na noite do último dia 6. A empregada doméstica Sandra Mara Merice, 48 anos, relata que, por volta de 17h, ligou de Pederneiras para o 192 pedindo urgência no atendimento do filho, Pedro Guilherme Merice Germano, 16 anos, que possuía tetralogia de Fallot e havia reportado dores no estômago e falta de ar.
A atendente, no entanto, teria informado não haver ambulância disponível. O pai de Pedro não estava em casa, mas, avisado sobre a situação, chegou de carro minutos depois e todos foram até a base do Samu de Pederneiras, que fica a cinco minutos da residência da família, e depararam-se com três ambulâncias estacionadas no local.
Uma das equipes, então, teria levado o jovem ao Pronto-Socorro da cidade. O paciente foi intubado, mas acabou não resistindo. "Como meu filho já estava muito mal, bem roxo quando chegamos no Samu, eles atenderam, colocaram oxigênio e levaram ao PS, mas, infelizmente, ele não sobreviveu", lamenta.
Em nota, a Secretaria de Saúde de Bauru, responsável pelo Samu Regional, informou que o serviço, em Pederneiras, conta com uma ambulância sob responsabilidade da pasta e as demais são de gestão municipal.
"A Diretoria Técnica da Divisão do Samu Bauru lamenta profundamente o ocorrido e esclarece que essa situação não reflete sua política de atendimento. O Samu é um serviço de urgência, destinado a atender casos de maior gravidade. A Divisão do Samu de Bauru vai investigar o ocorrido e, caso sejam identificadas irregularidades, serão tomadas as medidas cabíveis", informou.
OUTRO CASO
Nas redes sociais, Joãozinho da Farmácia ressaltou que esta não é a primeira vez em que uma pessoa enferma morre em Pederneiras sem receber assistência do serviço. De acordo com ele, no fim de janeiro deste ano, uma idosa de 95 anos acamada, que precisava de internação para cuidados paliativos e apresentava falta de ar e dor, também teve o atendimento negado após três chamadas feitas ao 192.
O vice-prefeito, então, acionou o chefe do Samu da cidade e a mulher foi finalmente transportada. "A paciente acabou falecendo não por falta de atendimento, porque estava bastante doente, mas ela merecia o acolhimento, a empatia das pessoas naquele momento difícil. Já levei inúmeras vezes, há mais de três anos e meio, o problema à Secretaria de Saúde e nenhuma providência foi tomada para melhorar o atendimento das pessoas que mais precisam", completa.