CARNAVAL 2025

Apuração das escolas gera polêmica sobre crianças em carros

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Guilherme Matos/JC
Apuração das notas dos jurados ocorreu na tarde desta quarta-feira (5), no Centro Cultural
Apuração das notas dos jurados ocorreu na tarde desta quarta-feira (5), no Centro Cultural

A desclassificação de três escolas de samba do Carnaval de rua 2025 de Bauru levantou o debate, na tarde desta quarta-feira (5), durante a apuração das notas dos jurados, sobre o desfile de crianças em carros alegóricos. O assunto, que não havia suscitado polêmicas em anos anteriores, tirou da disputa pelo título de campeã as agremiações Estrela do Samba de Tibiriçá, Dragões Unidos da Vila e Pé de Varsa.

A decisão ocorreu após representantes do Conselho Tutelar, presentes nos dois dias de evento, no sábado (1) e na segunda-feira (3), considerarem inseguras as estruturas que levariam destaques com menos de 18 anos à avenida Jorge Zaiden. Estas crianças e adolescentes foram impedidos de participar da festa já no local do desfile e, por consequência, as escolas perderam número significativo de integrantes.

A quantidade mínima para permanecer na disputa era de 240 membros e a Estrela do Samba de Tibiriçá, por exemplo, desfilou com 235, além de ter contado com 28 ritmistas na bateria, quando o exigido era ao menos 35. Já a Pé de Varsa foi composta por 166 foliões e a Dragões Unidos da Vila, 182. As três foram desclassificadas e não tiveram as notas dos jurados lidas na apuração.

A decisão atende à Portaria 1/2024 da Vara da Infância e da Juventude de Bauru, que determina, entre outras medidas, a proibição da "condução de crianças ou adolescentes em veículos, de forma a lhes acarretar risco à saúde ou à vida" e da participação destes grupos sem identificação ou desacompanhados dos pais ou responsáveis. Trata-se de um regramento antigo, segundo o Juizado, editado anualmente com pouca ou nenhuma alteração. A divulgação cabe à Secretaria Municipal de Cultura e a fiscalização, ao Conselho Tutelar.

RECURSOS

Antes da desclassificação, as escolas protocolaram recursos, que, de acordo com a secretaria, poderão ser juridicamente analisados, com eventual revisão do resultado da apuração. A Estrela do Samba de Tibiriçá alegou ter perdido 32 integrantes, entre crianças, adolescentes e seus pais, que viram-se obrigados a desistir do desfile.

Já a Dragões Unidos da Vila informou a retirada de 56 foliões devido à proibição da permanência de crianças em uma alegoria cuja base possuía 60 centímetros de altura. A Pé de Varsa também reclamou da ausência de menção desta restrição no edital de credenciamento publicado pela secretaria ou de comunicação prévia às agremiações, impedindo-as de promoverem com antecedência as adequações necessárias. A pasta rebateu e garantiu que enviou a orientação do Juizado às escolas.

A Estação Primeiro de Agosto também apresentou recurso, mas para requerer o cumprimento do regulamento, argumentando que a Acadêmicos da Cartola, Mocidade Unida da Vila Falcão, Coroa Imperial da Grande Cidade e Tradição da Zona Leste desfilaram com crianças em seus carros alegóricos. É provável, contudo, que os conselheiros tutelares tenham considerado estas estruturas seguras. O Jornal da Cidade solicitou informações à prefeitura, mas não foi possível esclarecer detalhes sobre as deliberações do colegiado até o fechamento desta edição.

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