PREOCUPAÇÃO

Bauru passa de 1 mil casos de dengue em menos de 2 meses

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação
Mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue
Mosquito Aedes aegypti é o transmissor da dengue

Bauru ultrapassou 1 mil casos de dengue em 2025 e o risco de uma nova explosão de doentes na cidade já preocupa autoridades. Nas primeiras oito semanas epidemiológicas do ano, 1.129 pessoas foram diagnosticadas com a doença, número menor que os 1.330 infectados no mesmo período de 2024, mas que ainda irá aumentar.

Isso porque, conforme explica Natália Paes Marcante, diretora da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, a data de referência para notificação dos casos é a do primeiro dia de sintomas e não a da confirmação do diagnóstico. "O tempo entre a coleta e o resultado dos exames é de cerca de 15 dias, então, um caso suspeito cuja investigação é encerrada hoje será contabilizado na semana seis ou sete", detalha.

Assim, quando consideradas apenas as cinco primeiras semanas, a quantidade de registros em 2025 (702) é 56% maior que a do mesmo período do ano passado (449). E vale destacar que 2024 foi o segundo ano mais crítico para a dengue em mais de duas décadas, atrás apenas de 2019, ano em que 26.250 moradores da cidade contraíram a doença e 42 morreram. "Há um aumento expressivo de casos em Bauru e, provavelmente, os números continuarão subindo nas próximas semanas, refletindo o que está ocorrendo em todo o Estado", acrescenta Natália.

ESCALADA

A escalada da dengue no território paulista, que concentra 75% das mortes pela doença no País em 2025, levou o governo estadual a decretar, no último dia 19, situação de emergência em saúde pública. Dois dias depois, o Estado chegou ao marco de 300 casos para cada 100 mil habitantes, considerado epidemia. Com 297,8 registros a cada 100 mil moradores, Bauru está perto deste patamar.

Moradora da Vila Industrial, a consultora técnica Evelin Menezes, 37 anos, e sua filha Giulia, 14 anos, estão entre os bauruenses contaminados recentemente. Os sintomas surgiram em ambas com poucos dias de diferença na semana passada e, ao buscarem ajuda médica, encontraram a UPA Bela Vista lotada.

"Praticamente todos os meus vizinhos pegaram dengue. No entorno, há muitos terrenos abandonados, com mato bem alto e muito lixo. Infelizmente, até agora, nenhum agente da prefeitura passou para fiscalizar tanto terrenos quanto casas", descreve ela, que, assim como a filha, já está com a saúde restabelecida.

A diretora da Vigilância Epidemiológica municipal afirma, contudo, que as visitas para eliminação de focos da dengue - identificados inclusive com uso de drones - e conscientização da população, assim como bloqueios de transmissão (nebulizações) nos bairros mais afetados, são realizadas permanentemente. Vale destacar que locais com criadouros podem ser denunciados no www.bauru.sp.gov.br/ouvidoria/.

NA REGIÃO

Além de 1.129 casos, Bauru possui uma morte suspeita por dengue, em investigação, segundo dados do Painel de Arboviroses do governo do Estado atualizados nesta segunda-feira (24). Já os 46 municípios da região de abrangência do Jornal da Cidade somam quatro óbitos neste ano, sendo três em Lins e um em Brotas. Ao todo, eles contabilizam 5.091 casos, com maior incidência em Ibitinga (985 registros), Promissão (583), Lins (563) e Guaiçara (528).

As autoridades têm demonstrado preocupação porque o sorotipo 3 da dengue voltou a se disseminar no Estado, após ficar em baixos níveis de circulação desde 2016. É algo que traz risco para aumento de casos da doença, uma vez que ela possui quatro sorotipos e a pessoa infectada só desenvolve imunidade aos que já adquiriu. Neste ano, além do sorotipo 3, o 1 e o 2, como em anos anteriores, continuam presentes.

Cobertura vacinal de 9%

A vacina contra a dengue é disponibilizada pelo SUS para pessoas de 10 a 14 anos e, das cerca de 22 mil nesta faixa etária em Bauru, apenas 23% tomaram a primeira dose e 9%, a segunda, percentual dez vezes menor que o nível considerado ideal, de 90%. "Disponibilizamos as doses nas unidades e, em algumas, inclusive no período noturno e aos sábados, mas, como trata-se de um imunizante novo, há certa dificuldade para as pessoas acreditarem na eficácia", comenta Natália Paes Marcante.

Devido à baixa adesão no País, o Ministério da Saúde publicou recentemente nota técnica para ampliar o público-alvo quando as doses tiverem prazo de validade de até 60 dias. Porém, em Bauru, os imunizantes só começarão a vencer em setembro.

Vale destacar que, até agora, a cidade não desenvolveu uma campanha massiva de conscientização sobre a importância da vacinação, alertando que o público prioritário possui maior risco de agravamento da doença. Segundo Natália, também não há, até o momento, permissão do MS para vacinação fora das unidades de saúde, o que impede a realização de mutirões, por exemplo, em escolas.

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