O Sebrae abriu diálogo com a Secretaria de Educação para discutir a viabilidade de implementar o projeto "Educação Empreendedora" nas escolas municipais de Bauru. A iniciativa, conta o diretor técnico da instituição Marco Vinholi, "é o carro-chefe do Sebrae neste ano e já atingiu mais de 18 mil alunos na região".
O projeto, em termos práticos, envolve trabalhar com noções de empreendedorismo às crianças para, segundo Vinholi, "que elas possam chegar na fase adulta com um conhecimento adequado sobre o tema" - inclusive com educação financeira.
"Mas não é para só para com a visão de negócio. É também empreender para vida. Isso envolve responsabilidade, protagonismo. A criança também passa a enxergar as disciplinas que ela estuda com outro olhar. Ela entende que matemática vai impactar, vai ajudá-la para a vida", diz o diretor.
O Educação Empreendedora funciona a partir de três pilares: educar sobre o empreendedorismo, para o empreendedorismo e por meio dele.
"É uma metodologia que vem com conceitos de Harvard e da Universidade de Boston, nos Estados Unidos. A gente só vai mudar a realidade do empreendedor brasileiro se tiver desde cedo uma educação adequada", pondera Vinholi.
"Tudo que o Sebrae faz é importante. Mas não tem bala de prata para você prosperar nem solução mágica. O ambiente é muito competitivo, e o projeto Educação Empreendedora ensina a conviver nesse meio", acrescenta.
A ideia, de acordo com o diretor, é semear desde cedo noções de empreendedorismo para que isso se reflita no futuro em índices melhores de sobrevivência e liquidez das empresas. "Isso significa começar ali na base da pirâmide com isso", explica Vinholi.
O projeto não é imposto sobre a grade curricular dos alunos e é ministrado no contraturno escolar àqueles que se inscreveram na matéria.
A iniciativa do Sebrae já rendeu frutos, celebra Vinholi. "Temos uma escola em uma cidade aqui da região que tinha um único aparelho de televisão e ele queimou. E as crianças, junto com os professores e diretores, decidiram que a renda arrecadada com uma feira de negócios da escola seria destinada à compra de uma TV", revela.
"Foi um caso sensacional. Essa escola ficava num bairro relativamente simples, então a criança percebe que o esforço dela dedicado a uma feira repercutiu em benefício para ela própria", complementa.