VOLTA ÀS AULAS

Proibir celulares será um desafio nas escolas públicas de Bauru

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
FourC/Divulgação
Algumas escolas particulares que retomaram aulas  nesta semana em Bauru já encontraram soluções
Algumas escolas particulares que retomaram aulas nesta semana em Bauru já encontraram soluções

A proibição do uso de aparelhos celulares nas escolas, imposta por recentes leis estadual e federal, deverá encontrar algumas dificuldades de implementação nas unidades públicas de ensino, que possuem menos recursos estruturais em relação às particulares. A Secretaria Municipal de Educação informou que o início do ano letivo de 2025, a partir de 3 de fevereiro, será de diálogo junto aos servidores, alunos e familiares para definir a melhor forma de guardar os equipamentos, que não serão recolhidos neste primeiro momento.

Já a Secretaria da Educação do Estado informou que não poderia designar um porta-voz da Diretoria Regional de Ensino para conceder entrevista. Mas, conforme o JC apurou junto ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), boa parte das escolas estaduais de Bauru não está preparada para banir os celulares já no primeiro dia de aula, no próximo dia 3.


Uma escola particular de Bauru adotou o uso de caixas cuja abertura demanda uso de senha (Foto: GBI/Divulagção)

Diretor da entidade, Marcos Chagas explica que, como o Estado não estabeleceu uma padronização, cada diretoria será responsável por definir como fará a recolha, guarda e devolução dos celulares. "Algumas direções já criaram estes espaços e outras estavam, nesta semana, sem saber muito o que fazer. Mas em uma escola, por exemplo, colocaram em cada sala de aula uma caixa de MDF bem fina, frágil, com cadeado, onde ficarão guardados os celulares de cada turma. Ou seja, é o Estado passando a responsabilidade para as direções e estas, para os professores", pontua.

A secretaria elaborou um documento em que traça diretrizes aos profissionais da educação pública e privada sobre o tema, como ações de conscientização aos estudantes na primeira semana de aulas, desencorajando-os a levarem os dispositivos eletrônicos para a escola. O material destaca que os equipamentos, se levados à unidade, deverão ser mantidos em local inacessível, como armários ou caixas, cuja aquisição poderá ser viabilizada com recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola. As instituições também foram orientadas a informar as famílias de que não se responsabilizarão por eventuais extravios ou danos aos aparelhos.

RESISTÊNCIA

É uma deliberação que reforça a campanha para os alunos deixarem os celulares em casa, mas que pode gerar um ambiente de insegurança e resistência quanto à entrega dos dispositivos. Além disso, nas situações em que a escola ficar sem Internet, devido a temporais ou furto de fios, por exemplo, as atividades pedagógicas por meio de plataformas digitais - permitidas pela legislação - serão inviabilizadas. Atualmente, conforme o JC já noticiou, boa parte dos estudantes possui Internet em seus celulares e, muitas vezes, neles realizam as tarefas pedidas pelos professores.

O secretário municipal de Educação, Walter Vicioni antecipa que, na primeira semana de aulas, diretores, coordenadores, supervisores e professores estarão mobilizados em conscientizar os alunos, em especial os matriculados em escolas de ensino fundamental sobre a importância do cumprimento da norma. Também serão promovidas reuniões com os pais para que saibam sobre as implicações da nova legislação, incluindo a não responsabilização sobre perdas e danos e as punições a quem insistir em permanecer com o equipamento durante as aulas.

"A única coisa que ainda não definimos é como guardaremos os celulares de forma segura, se em caixas individuais numeradas, em caixas grandes, armários. Por ser um assunto novo, é uma decisão que tomaremos junto com pais e alunos, em um processo transparente, que, inclusive, terá caráter pedagógico, porque será um aprendizado para todos. Então, nesta primeira semana, a guarda dos aparelhos ficará com os estudantes", revela.

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