PESADELO NAS FÉRIAS

Família de Bauru cai em golpe de aluguel no Guarujá e é ameaçada

Por Guilherme Matos | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes sociais
Golpe usou fotos de uma casa no interior do Rio de Janeiro
Golpe usou fotos de uma casa no interior do Rio de Janeiro

Um final de semana de férias no Guarujá se tornou um pesadelo para uma família de Bauru. Após serem vítimas do golpe do aluguel — quando criminosos anunciam imóveis falsos nas redes sociais — os bauruenses passaram a receber bilhetes com ameaças em sua própria casa.

De acordo com boletim de ocorrência (BO) registrado no último domingo (26), a vítima, uma mulher de 48 anos, encontrou um anúncio de hospedagem na cidade litorânea pelo Instagram e decidiu fechar negócio. Ela entrou em contato com o suposto proprietário e negociou diárias no valor total de R$ 1.100,00. 

As sonhadas férias ocorreriam entre os dias 24 e 26 de janeiro. Na última sexta-feira (24), ela e seu companheiro pegaram a estrada em direção ao Guarujá (a 431 quilômetros de Bauru). Quando estavam na altura de Pardinho (a 120 quilômetros de Bauru), porém, os criminosos mandaram mensagem para avisar do golpe e debochar das vítimas (veja print abaixo).

Antes dessa mensagem, os criminosos trataram a família de forma profissional e educada. A conversa com um contato salvo como “Alline Casa de Praia” inclui horários de check-in rígidos, possíveis taxas extras e até um nome de uma funcionária que seria responsável pela limpeza do local que não existe. 

A casa alugada até existe, mas fica no interior do Rio de Janeiro e não no litoral paulista. Nas redes sociais do anúncio verdadeiro, internautas relatam o uso das imagens para para golpes no Guarujá. O proprietário do imóvel real teria, inclusive, denunciado para a polícia o uso indevido das fotos.

As ameaças

Até ser avisada sobre o golpe, o prejuízo da vítima era de R$ 1.100,00, pago em quatro vezes (a negociação começou em maio de 2024). Os criminosos, porém, começaram a ameaçar a mulher e seus familiares.

Ainda segundo o BO, o grupo exigiu pagamento de R$ 7.000,00 para evitar a violência prometida. Ela não pagou o valor.

Para aterrorizar a família, foi encaminhado um vídeo à vítima que mostra um homem indo até a residência dela em Bauru de moto e colocando um bilhete no portão escrito: “Parabéns pelo seu dia, temos uma surpresa para você!".

De acordo com o delegado coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Bauru, Alexandre Protopsaltis, é provável que esse motociclista tenha sido contratado para entregar a mensagem sem saber que fazia parte de um crime.

“A pessoa que contrata pede que o motoboy faça um vídeo para comprovar que o serviço foi realizado. O criminoso repassa para a vítima, que acaba se sentindo aterrorizada. Mas o motoboy está prestando um serviço para uma pessoa que nem sabe a identidade. Esse método é comum e utilizado em outras modalidades de estelionato”, explica o delegado.

Protopsaltis, porém, acredita que seja difícil que os criminosos realmente cometam alguma violência contra a família bauruense. “O grupo acaba atuando de maneira ilimitada [em todo Brasil]. Em nenhum caso vimos estelionatários partirem para algo mais grave. Eles costumam deixar de lado e partir para outra vítima, buscando a vantagem monetária”, afirma.

Alerta

O delegado alerta a população para se prevenir contra o golpe do aluguel. O primeiro método é usar plataformas especializadas em aluguel de casas de veraneio (como o Booking e o Airbnb). “Você acaba tendo um respaldo e uma segurança maior”, diz.

“Ter cautela e não se deixar atrair por valores muito baixos. Desconfiar quando o pagamento tem que ser feito de forma antecipada. Outro sinal é a tentativa de despertar o senso de urgência. Os criminosos dizem que tem outras pessoas interessadas para obrigar a vítima a depositar um valor para reservar o local”, alerta Alexandre Protopsaltis.

Os dados passados para o aluguel também podem ser utilizados para outros golpes. Dependendo das informações, os criminosos podem tentar abrir contas em bancos, forjar contratos, etc.

O caso é investigado em Bauru.

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