EM 2024

Apreensões de vinho e azeite ilegais crescem na região de Bauru

Por Guilherme Matose e FolhaPress | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Azeite e vinho apreendidos em fevereiro de 2024
Azeite e vinho apreendidos em fevereiro de 2024

Levantamento da Polícia Militar Rodoviária (PMR) aponta para um aumento nas apreensões de vinho e azeite nas rodovias do Estado de São Paulo em 2024. Em Guarantã (a 78 quilômetros de Bauru), por exemplo, policiais flagraram um ônibus transportando 2.300 litros de azeite, 3.744 garrafas de vinho e 384 latas de cerveja importada sem nota fiscal em fevereiro do ano passado.

O caso não é isolado. Uma outra fiscalização, em julho, encontrou um carro levando 300 garrafas de vinho irregular em Jaú (a 47 quilômetros de Bauru). Já no dia 30 de dezembro, agentes da corporação localizaram 600 garrafas da bebida em veículo que passava por Pongaí (a 100 quilômetros de Bauru).

De acordo com o 1.º tenente Rodrigo Hydeo Sayki, é possível que o contrabando (itens ilegais importados ou exportados) e o descaminho (itens legais importados ou exportados sem pagar os impostos devidos) desses itens tenham crescido pois oferecem maior facilidade na hora do transporte. O cigarro paraguaio, por exemplo, obriga os criminosos a transportarem uma grande quantidade da mercadoria, visto que o lucro é baixo por pacote.

No caso do azeite e do vinho, apesar de as garrafas e galões ocuparem mais espaço, uma quantidade menor de produtos garante vantagem sobre a margem de lucro.

Sayki alerta que os crimes podem levar à prisão: contrabando prevê pena de 2 a 5 anos e descaminho, de 1 a 4 anos. Itens apreendidos passam por perícia, e responsáveis podem ser acusados também de falsificação.

O tenente relembra que os consumidores podem acessar o site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e consultar a marca do produto que estão adquirindo. O portal informa se as mercadorias são aprovadas e se o comércio dos itens têm restrições.

A "popularização" desses produtos ilegais preocupa a polícia, que ressalta os malefícios para a saúde que os itens podem trazer, além do perigo de envenenamento.

OUTROS CASOS

O tenente destacou outros dois casos ocorridos foram da região de Bauru, mas com apreensões relevantes. A primeira delas ocorreu no dia 22 de outubro de 2024, em Pirapozinho (a 306 quilômetros de Bauru).

Na ocasião, uma equipe do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR) apreendeu um vídeo game, diversos celulares de marcas chinesas, perfumes, além de 5 galões de azeite. Outro caso ocorreu em Presidente Prudente (a 278 quilômetros de Bauru) no dia 14 de novembro. A equipe TOR apreendeu, em um ônibus, 25 galões de 5 litros de azeite, além de 24 vinhos, todos sem nota fiscal.

PREÇO DO AZEITE EM 2024

A falta de chuvas na região do Mediterrâneo levou à falta de azeitonas nos últimos anos e, consequentemente, elevou os preços do óleo. A Espanha é a maior produtora mundial, responsável por 40% da produção. No Brasil, garrafas de azeite chegaram a ser trancadas em armários nos supermercados. O mesmo foi visto na Espanha.

Lacres antifurto também foram utilizados, exigindo que o consumidor pedisse a um atendente para comprar o produto. Até junho do ano passado, para se ter ideia, a inflação do azeite acumulava alta de 49% em 12 meses no Brasil.

Levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo durante o mês verificou que o preço médio da garrafa de 500 ml estava em R$ 50 em São Paulo.

A produção de azeite de oliva na Espanha, porém, já está prestes a aumentar em quase 50% nesta safra, mas os preços do óleo ainda devem levar um tempo para cair. Serão 1,26 milhões de toneladas, patamar médio registrado pelo país antes da escassez de azeitonas das últimas safras.

Agora, sinais de uma colheita melhor já fizeram com que os preços negociados no mercado internacional caíssem mais de 25% em relação aos picos registrados. Os consumidores só devem se beneficiar de preços mais baixos daqui a algum tempo, pois os contratos de fornecimento são negociados com meses de antecedência.

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