Candidato a presidir o Senado mesmo sem apoio oficial de seu partido, o PL, o senador bauruense Marcos Pontes diz ter lançado seu nome à disputa para que a Casa "tenha uma candidatura de direita". A eleição da Mesa Diretora do Congresso acontece neste sábado (1).
Em entrevista ao programa Cidade 360.º, uma parceria entre o JC e a 96FM, Pontes afirmou que a decisão de entrar na disputa veio no ano passado, a partir de novembro, "depois de conversar com vários senadores de direita e ver que nenhum deles estava disposto".
"Foi quando decidi assumir essa missão. [Tive] quase 11 milhões de votos [nas eleições de 2022] e precisamos ter responsabilidade junto com nossos eleitores", acrescentou.
Segundo Pontes, o apoio do PL à candidatura de Davi Alcolumbre (União Brasil) se dá pela "conveniência de ter a vice-presidência ou a presidência de alguma comissão [permanente]". "É importante? É. Mas acho importante termos uma candidatura de direita", salientou.
Apesar disso, ressaltou, Pontes conversou com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o informou sobre a pretensão de apresentar sua candidatura. "Mas para não causar qualquer problema para o partido eu vou me lançar de forma independente", disse a Valdemar, segundo contou durante a entrevista. O mesmo Pontes falou a Alcolumbre.
O bauruense admitiu que há pressão interna dentro da legenda para que ele desista da disputa.
O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a criticar o senador - que foi, aliás, seu ministro da Tecnologia - e chamou de "lamentável" a candidatura de Pontes, salientando que "não há chances de ganhar". As declarações foram proferidas em entrevista de Bolsonaro à rádio Auriverde, de Bauru.
Mas isso são águas passadas, garantiu o bauruense. "Naquele dia, uma segunda-feira, acredito que dia 20, ele estava chateado por não ter ido à posse do [presidente dos Estados Unidos, Donald] Trump. Eu também ficaria", disse.
"O Bolsonaro é amigo meu tem muito tempo. E amigo é o seguinte. Ele pode concordar com o que eu faço ou não. E eu posso concordar com o que ele faz ou não. E a gente precisa ter essa relação de confiança. Ele sabe que pode confiar em mim. [...] Se você concordar com tudo o que o amigo faz você não é amigo; é puxa-saco", observou.
Questionado sobre se Alcolumbre - favorito na disputa - cumprirá o que vem sendo acordado com a oposição, o que inclui pautar uma eventual anistia às condenações de Bolsonaro, Pontes evitou criticar o colega.
"Eu vou deixar essa pergunta para o pessoal pensar. O histórico da gente fala muito da gente. Quem nós somos, a atitude que tomamos. Então vou deixar esse ponto de interrogação para o pessoal pensar", respondeu.