À meia-noite do último dia trinta e um, ele, de cueca branca, ela, de calcinha amarela, abraçaram-se e desejaram- se. Não carnalmente, mas conjugalmente, o melhor dos anos e, ao som de "Adeus, ano velho, feliz ano novo…", vislumbraram os melhor dos anos!
De repente aos ouvidos dele, uma fada-madrasta balbuciou: "É feliz ano novo ou feliz novo ano?". Ele não soube responder, lembrou-se da entrada de uma cidade em que havia uma faixa de "Parabéns… 90 anos, uma senhora cidade" e por que não uma cidade senhora?
Mestre Machado de Assis vociferou: "Os adjetivos passam, os substantivos ficam". Será que somos substantivos próprios atrás dos melhores adjetivos ou dos adjetivos melhores? Vivemos o meio em busca de fins ou os fins ainda justificam os meios?
Que sejamos melhores seres melhores, que nos lembremos de um acessório no veículo chamado "seta", que paremos na faixa para segurança. que respeitemos os ciclistas e as ciclovias como prega há anos o Dê da Debike!
São coisas tão pequenas que nos tornam grandes seres, uma vasilha com água embaixo da árvore em frente às nossas casas para que os animais se hidratem, ainda que deles poucos tratem!
Abrirmos a porta do elevador, ajudarmos alguém no mercado com suas sacolas, levando-as até o carro, abrindo a porta do veículo, sorrindo, rindo, sentindo!
Assisti ao filme "Intocáveis" umas dez vezes, sempre aprendo com ele ou "Meu Nome é Rádio" ou "Perfume de Mulher", as clássicas películas da Sétima Arte estão indo embora, seja da memória ou da história!
Uma das melhores coisas de lecionar é encontrar gente nova e nova gente, ainda que eu esteja cada vez mais velho, gosto quando escuto: "Você é o Professor novo? "ou quando alguém me pergunta: "Posso falar com o senhor? Respondo: "Sim, Deus está te ouvindo…"
Façamos o melhor dos anos sendo melhores, sejamos a mudança, prometo que vou tentar, conseguirei? Talvez, mas Camões já profetizou: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades".