ENTREVISTA

À moda da casa; Selma Issa Gândara Vieira

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Tecidos em sua variedade de cores, estampas, tramas e aplicações de bordados, rendas e pedrarias fazem parte do dia a dia da empresária Selma Issa Gândara Vieira, 68 anos. Dona da loja Tropical, fundada em 1938 por seu pai, o libanês José Issa, ela mantém a tradição familiar em oferecer atendimento de excelência, adicionada às inovações do mercado.

Atenta às tendências de moda, a comerciante comanda uma equipe experiente, focada em garantir a satisfação de uma clientela cada vez mais exigente. Nascida em Bauru e casada com Sebastião Gândara Vieira, com quem teve os filhos André e Ivan, que lhe deram quatro netos, Selma iniciou sua trajetória profissional como psicóloga organizacional na cidade de São Paulo.

Na volta à cidade natal, em 1991, teve a oportunidade, junto com o irmão José Jr., de manter o legado do pai, falecido poucos anos depois. Além da família e dos negócios, um dos pilares da vida da empresária é o voluntariado, no qual dedica parte do seu tempo a fazer o bem a quem precisa de ajuda.

"Na Tropical ou na vida, servir o próximo com qualidade é gratificante", diz. Nesta entrevista, Selma revisita sua trajetória pessoal e profissional, fala sobre amor à moda e união familiar e revela a motivação em atuar ao lado do marido no Lions Clube Estoril, na Paróquia Santa Rita e no Lions Clube Qualidade de Vida, que ela ajudou a fundar. Leia os principais trechos.

JC - Sua trajetória até aqui foi em Bauru?

Selma - Não. Eu me formei no Colégio São José, cursei psicologia na Fundação Educacional de Bauru, hoje Unesp, e queria conhecer outros mundos. Queria atuar como psicóloga em empresas e fui morar em São Paulo em 1981. Fiquei um ano em uma indústria metalúrgica e fui contratada por uma empresa de publicações jurídicas chamada IOB, onde fiquei por dez anos. Nessa época, eu já estava casada. Conheci meu marido em um Carnaval de Bauru, começamos a namorar, eu me formei e, depois de dois anos, ele também mudou-se para São Paulo. Nós nos casamos em 1983, em 1985 tive o André e, em 1986, o Ivan.

JC - Por que decidiram retornar a Bauru?

Selma - Meu primeiro filho era alérgico, teve sete pneumonias até os sete anos e o médico falou que, se ficássemos em São Paulo, continuaria tendo problemas. Além disso, tinha saudade dos meus pais e também ficava muito tempo longe das crianças, que eram cuidadas por uma babá enquanto eu me dedicava ao trabalho como gerente de RH. Então, em 1991, decidimos voltar para Bauru, meu marido como consultor na área de informática e eu, para trabalhar na Tropical. Meu irmão José Jr. já ajudava meu pai, que decidiu montar uma filial para o filho em Marília e uma para mim no Bauru Shopping. Mas, em 1996, meu pai adoeceu e morreu no ano seguinte.

JC - Como ficaram os negócios com a partida dele?

Selma - Resolvemos fechar a loja do shopping e, em 2001, assumi a loja do Centro, que foi fundada em 1938 por meu pai, libanês que veio para o Brasil aos 14 anos em um contexto de guerra, após a vinda do meu avô e do meu tio Jorge. Cheguei a fazer uma grande reforma no prédio, que era alugado mas, em 2014, os donos decidiram vender. Foi quando nos mudamos para a rua Azarias Leite, onde estamos até hoje. Nesse meio tempo, em 2007, abri outra loja na Araújo Leite, em frente ao Bosque da Comunidade.

JC - Comandou as duas lojas simultaneamente?

Selma - O Ivan ficou cuidando da loja do Centro por sete anos, enquanto eu estruturava a unidade da Araújo. Mas ele já era médico veterinário formado e chegou um momento em que decidiu seguir carreira na sua área. Eu o apoiei, cheguei a ficar com as duas lojas, mas, em 2015, resolvi centralizar tudo na unidade da Azarias. Lá, seguimos trabalhando com uma equipe extremamente capacitada, que conhece o segmento e oferece atendimento personalizado, incluindo consultoria com nossa estilista e indicação de excelentes costureiras, para garantir a melhor experiência ao cliente.

JC - Você fica sintonizada com as tendências?

Selma - Sou apaixonada por moda, adoro pesquisar, comprar tecidos bonitos. É uma área cujas tendências mudam rapidamente, então, faço esse trabalho junto com a equipe, que identifica a demanda da clientela, formada em sua maioria por mulheres a partir de 35 anos, que buscam peças personalizadas. São vestidos de festa ou roupas mais ocasionais, como, por exemplo, alfaiataria em tecidos naturais. O linho e a seda são tendências fortes na Europa, Estados Unidos, muito em função da consciência sobre uma moda mais sustentável. Ainda sobre tendências, divulgamos há bastante tempo nossos produtos em redes sociais com auxílio de uma agência de publicidade e a intenção é expandir as vendas online, inclusive para outras cidades, por meio do atendimento por WhatsApp.

JC - Além de carreira e família, o que mais tem relevância em sua vida?

Selma - O voluntariado. Quando retornamos a Bauru, meus filhos entraram na catequese e meu marido e eu nos tornamos voluntários na Paróquia Santa Rita. Participamos de quermesses, fizemos trabalhos com noivos, jovens e casais e agora estamos coordenando um círculo. E estamos há 25 anos no Lions Clube Estoril, que faz um trabalho diferenciado, como a Maratona do Enem, eventos para ajudar o Cevac e a recente mobilização de recursos para estruturar o novo prédio do Lar Escola Santa Luzia para Cegos. Meu marido foi governador do Distrito LC-8, composto por 59 cidades, hoje é assessor de intercâmbio internacional de jovens e eu, assessora distrital do câncer infantil. Sou ainda leão orientadora do Lions Clube Qualidade de Vida, que ajudei a fundar e tem feito, por exemplo, trabalhos educacionais no Projeto Galpão e no Cevac. São ações que exigem tempo, empenho, mas, à medida que a gente faz, recebe também. Na Tropical ou na vida, servir o próximo, ajudar com qualidade quem precisa é gratificante. Quero viver muito para poder fazer o bem a muita gente ainda.

O que diz a empresária:

'Sou apaixonada por moda, adoro pesquisar, comprar tecidos bonitos. É uma área cujas tendências mudam rapidamente'

'Na Tropical ou na vida, servir o outro, ajudar com qualidade quem precisa é gratificante'

'Quero viver muito para poder fazer o bem

a muita gente ainda'

Com o marido Sebastião, em evento do Lions Clube
Com o marido Sebastião, em evento do Lions Clube
Na época em que trabalhava no IOB, na Capital
Na época em que trabalhava no IOB, na Capital
Com os irmãos José Jr. e João Paulo
Com os irmãos José Jr. e João Paulo
Com o filho Ivan, a nora Luciana, o neto André, o marido Sebastião, a nora Nathália, o filho André e, abaixo, as netas Sarah, Helena e Luana
Com o filho Ivan, a nora Luciana, o neto André, o marido Sebastião, a nora Nathália, o filho André e, abaixo, as netas Sarah, Helena e Luana

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