Filho de contabilistas, Paulo Roberto Martinello Júnior pensava em cursar engenharia quando, ainda jovem, foi instigado por seu pai a assumir o escritório da família. Agora, aos 46 anos, abraça um novo desafio: a partir de janeiro de 2025, será o novo presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), cargo que ocupará por dois anos.
Nesta função - já desempenhada por seu pai, Paulo Roberto Martinello, ele terá a responsabilidade de trazer inovação à entidade, além de lançar novos produtos aos associados. Integrante da diretoria da instituição desde 2019 como tesoureiro, o contador teve rápida ascensão, sendo o atual primeiro vice-presidente.
Simultaneamente, é responsável pelo departamento contábil do escritório Martinello Contadores, mantido em sociedade com os pais e o irmão. Nascido em Bauru, casado com Patricia e pai de Leonardo, 20 anos, e Livia, 12 anos, também tem participação ativa em entidades de classe e ações filantrópicas, refletindo valores que herdou dos pais.
Compromissado com a comunidade e com sólidos laços familiares, ele revela, nesta entrevista, sua paixão pela contabilidade e como concilia a relação profissional com a doméstica. Também conta o motivo de a música Boate Azul simbolizar a união de sua família e sobre a expectativa em voltar a ver jogos entre Palmeiras e Noroeste, seus times do coração, em 2025. Leia os principais trechos.
JC - Qual é sua principal meta na Acib?
Paulo - Dar cara nova à associação, que tem 93 anos. Daremos sequência ao que vem sendo feito e iremos melhorar algumas práticas, aprimorando nossa comunicação para que os serviços oferecidos pela Acib sejam mais visíveis e entendidos pelos empresários. Vamos melhorar, por exemplo, o Acib Negócios, roda de conversa mensal entre empresários, e lançar novos produtos, inclusive para atrair novos associados.
JC - Por que decidiu ser contador?
Paulo - Além dos meus pais, eu, meu irmão, minha esposa e minha cunhada somos contadores - e só a cunhada não trabalha mais no escritório. Estudei até o oitavo ano na escola estadual Silvério São João, fiz processamento de dados no CTI da Unesp e pensei em fazer engenharia. Mas, em 1996, meu pai era administrador do escritório regional da Jucesp e propôs que eu assumisse o escritório de contabilidade dele com minha mãe. Topei e, quando saí do CTI, fui fazer contabilidade na ITE e comecei a trabalhar com ela, atendendo três empresas. O escritório foi crescendo, meu irmão entrou no quadro societário e hoje temos 20 colaboradores. Somos focados em holding patrimonial e indústria, mas atendemos todo tipo de cliente. São empresas com faturamento anual, em média, acima de R$ 5 milhões.
JC - Como administram a relação profissional sendo uma família?
Paulo - No começo foi difícil, mas foi um aprendizado e hoje conseguimos separar bem. No escritório, cada um tem suas funções e meu pai, embora tenha ficado um período fora para administrar a Jucesp, sempre esteve presente. A família tem uma intensa relação. Minha mãe é a força da casa e meu pai, uma pessoa emocional, carismática. Eles são meu espelho. A família faz viagens de férias e passa os finais de semana junta. Para onde eu vou, levo meu pai. Só meu filho, agora, está um pouco distante por estar cursando gastronomia em Florianópolis.
JC - Acabou sendo natural, então, a carreira na contabilidade.
Paulo - Sou apaixonado por minha profissão. Fui conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo e cuidei do CRC Jovem. Então, por quatro anos intensos, corri o Estado fazendo palestras para fomentar a profissão dentro das faculdades, universidades, feiras de profissões. E ver a moçada gostando foi muito legal, porque tudo envolve contabilidade e é uma profissão bem remunerada. Na pandemia, as empresas sem um bom contador para auxiliar na gestão fecharam. Na época, nosso escritório teve um crescimento absurdo e conseguimos ajudar muitos estabelecimentos.
JC - Qual é a história por trás da música Boate Azul?
Paulo - É uma música que meu pai canta em quase todos os eventos que vai. No último dia 25, fomos a um jantar em Jaú e, quando vi, ele já estava no palco cantando. Eu canto mais em casa, mas já cantei algumas vezes com ele em público. Tudo começou com meu filho, que gostava de assistir ao DVD da dupla Matogrosso e Mathias quando criança e todo domingo a gente colocava. Meu pai foi pegando gosto e decorou a letra. E ela acabou virando a música da família, formada por pessoas do Interior.
JC - Além da Acib, atua em outras entidades?
Paulo - Sou diretor do Sindicato dos Contabilistas desde 2002, diretor da Associação das Empresas de Serviços Contábeis de Bauru e conselheiro do CRC. Fazer parte da vida política da cidade foi algo que herdei do meu pai, por acreditar em fazer algo maior, melhorar as condições da profissão e até das empresas clientes destes contadores, porque o trabalho que eles desenvolvem as afeta diretamente. Já da minha mãe, herdei as ações filantrópicas. Apoiamos o Centro Social Amor Perfeito há mais de 15 anos e sou voluntário em outros projetos por meio da loja maçônica Fraternidade Acadêmica O Aleijadinho. Promovemos a Festa do Espetinho, cuja renda é destinada a entidades filantrópicas, fizemos recentemente a festa do Dia das Crianças na Creche Maria Ribeiro e temos uma barraca fixa, do chope, na Feira da Bondade da Apae. Também integro um grupo criado para ajudar a recuperar a credibilidade da Apae após tudo o que ocorreu.
JC - Sobra tempo para algum hobby?
Paulo - Sou palmeirense, assim como meu pai e meu avô, que era filho de italiano. A família toda é palmeirense, minha filha é fanática e assistir aos jogos é mais um motivo para ficarmos todos juntos. Já fui ao estádio em São Paulo e continuo indo. Também sou noroestino e estou torcendo para que o Palmeiras seja sorteado para jogar em Bauru no Campeonato Paulista de 2025.