A chuva poderia ser um alívio para moradores que residem nas imediações da Rodolfina Dias Domingues, na Vila Ipiranga, que há quase seis meses passam pelo mesmo problema enfrentado por 27% da população de Bauru: o rodízio no abastecimento de água. Cada precipitação, porém, é um verdadeiro problema aos munícipes.
O local não possui drenagem ou limpeza adequada nos bueiros. O transtorno é inevitável: a água da chuva se acumula sobre a via toda, paralisando o trânsito e até alagando residências.
Heitor Mário Saintclair de Sá, 43 anos, mora na rua Rodolfina Dias Domingues há sete anos e é testemunha ocular do crônico problema que atinge a região. "Isso sempre aconteceu, mas vem se intensificando nos últimos anos", pontua.
Ele próprio admite haver um paradoxo: por um lado a água mal chega a seu bairro durante o racionamento; por outro, a água toma a rua inteira nos dias de chuva.
Não foi diferente na chuva que atingiu Bauru na quarta-feira (23). Em pouco tempo a rua já estava inundada e, para piorar, um ônibus que realiza o transporte escolar de alunos com deficiência precisou ser guinchado após tentar adentrar a via e sofrer pane no motor.
"Foi desesperador, dava para ouvir o grito das crianças. Algumas delas eu acolhi aqui em casa", lamentou Heitor durante a conversa com o JC.
Em nota, a Secretaria de Educação de Bauru afirmou que "esteve em contato com a empresa responsável pelo transporte dos alunos durante todo o período da ocorrência" e "reforçou a orientação para que trechos com riscos de alagamentos sejam evitados em dias de chuvas fortes".
A população moradora daquela região se vira como pode. No caso de Heitor, ele e sua família improvisaram uma "barragem" no portão de sua residência para evitar que a água entrasse. Por azar, porém, o instrumento não estava afixado na quarta - a casa acabou inundada. "Desta vez eu não perdi nada, mas em outra ocasião, 2018, tive bastante prejuízo", afirma.
O cenário vivenciado há sete anos pelos munícipes da Vila Ipiranga já ganhou repercussão em outras esferas. O Ministério Público (MP) de Bauru ajuizou ainda em 2020 uma ação civil contra a prefeitura cobrando providências para o local.
A prefeitura se comprometeu a resolver o problema no âmbito do processo, mas defende que a resolução não pode ser isolada.
Ainda ao MP, a administração afirmou que o foco agora está voltado a projetos de infraestrutura à Quinta da Bela Olinda e que os iniciativas sobre drenagem na Ipiranga só serão analisadas a partir de dezembro deste ano.
Ao JC, o governo afirmou que "a drenagem da Vila Ipiranga está dentro do pacote de ações estruturais que o município pretende executar a partir de 2025". Segundo a administração, o custo estimado supera R$ 40 milhões para as obras nesta região e "a gestão municipal está trabalhando para viabilizar os recursos necessários para este serviço".