CHUVA EM BAURU

Sem drenagem, Vila Ipiranga tem casas alagadas e ônibus guinchado

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Água inundou casa de morador na Vila Ipiranga e, ao lado, sem drenagem, rua ficou inteiramente alagada
Água inundou casa de morador na Vila Ipiranga e, ao lado, sem drenagem, rua ficou inteiramente alagada

A chuva poderia ser um alívio para moradores que residem nas imediações da Rodolfina Dias Domingues, na Vila Ipiranga, que há quase seis meses passam pelo mesmo problema enfrentado por 27% da população de Bauru: o rodízio no abastecimento de água. Cada precipitação, porém, é um verdadeiro problema aos munícipes.

O local não possui drenagem ou limpeza adequada nos bueiros. O transtorno é inevitável: a água da chuva se acumula sobre a via toda, paralisando o trânsito e até alagando residências.

Heitor Mário Saintclair de Sá, 43 anos, mora na rua Rodolfina Dias Domingues há sete anos e é testemunha ocular do crônico problema que atinge a região. "Isso sempre aconteceu, mas vem se intensificando nos últimos anos", pontua.

Ele próprio admite haver um paradoxo: por um lado a água mal chega a seu bairro durante o racionamento; por outro, a água toma a rua inteira nos dias de chuva.

Não foi diferente na chuva que atingiu Bauru na quarta-feira (23). Em pouco tempo a rua já estava inundada e, para piorar, um ônibus que realiza o transporte escolar de alunos com deficiência precisou ser guinchado após tentar adentrar a via e sofrer pane no motor.

"Foi desesperador, dava para ouvir o grito das crianças. Algumas delas eu acolhi aqui em casa", lamentou Heitor durante a conversa com o JC.

Em nota, a Secretaria de Educação de Bauru afirmou que "esteve em contato com a empresa responsável pelo transporte dos alunos durante todo o período da ocorrência" e "reforçou a orientação para que trechos com riscos de alagamentos sejam evitados em dias de chuvas fortes".

A população moradora daquela região se vira como pode. No caso de Heitor, ele e sua família improvisaram uma "barragem" no portão de sua residência para evitar que a água entrasse. Por azar, porém, o instrumento não estava afixado na quarta - a casa acabou inundada. "Desta vez eu não perdi nada, mas em outra ocasião, 2018, tive bastante prejuízo", afirma.

O cenário vivenciado há sete anos pelos munícipes da Vila Ipiranga já ganhou repercussão em outras esferas. O Ministério Público (MP) de Bauru ajuizou ainda em 2020 uma ação civil contra a prefeitura cobrando providências para o local.

A prefeitura se comprometeu a resolver o problema no âmbito do processo, mas defende que a resolução não pode ser isolada.

Ainda ao MP, a administração afirmou que o foco agora está voltado a projetos de infraestrutura à Quinta da Bela Olinda e que os iniciativas sobre drenagem na Ipiranga só serão analisadas a partir de dezembro deste ano.

Ao JC, o governo afirmou que "a drenagem da Vila Ipiranga está dentro do pacote de ações estruturais que o município pretende executar a partir de 2025". Segundo a administração, o custo estimado supera R$ 40 milhões para as obras nesta região e "a gestão municipal está trabalhando para viabilizar os recursos necessários para este serviço".

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