OPINIÃO

Não podemos cometer o “homicídio” da Apae

Por Vitor Oshiro |
| Tempo de leitura: 1 min
O autor é jornalista da TV USP Bauru e especialista em Linguagem, Cultura e Mídia

Com um enredo que não fica muito distante dos filmes sombrios do catálogo da Netflix, o mistério que abalou Bauru e região - e até o País - chegou ao fim. Em um trabalho minucioso e digno de elogios, a Polícia Civil driblou as tentativas do principal suspeito em empurrar as investigações para outros rumos, que seriam até mais lógicos e fáceis de engolir, e construiu um conjunto probatório difícil de ser refutado. E, para além do homicídio, desnudou um potencial esquema que envolveria "braços fortes" de uma das entidades mais tradicionais da cidade.

Agora, fica a mancha. Não a mancha de sangue no banco traseiro do carro. Fica a mancha na história da Apae. E aqui está o risco maior: o da opinião pública se tornar "generalização pública".

Com o assassinato praticamente solucionado, creio que as apurações do que supostamente ocorria na entidade seguem. E os envolvidos deverão ser punidos.

Mas, não podemos perder de vista o trabalho sério que a Apae realiza e quantas e quantas vidas dependem desse trabalho sério. Não podemos, por meio da "generalização pública", dizer que "todo mundo lá não presta" ou que a "entidade sempre roubou". Não podemos dizer que "nunca mais vamos ajudar a Apae".

Calma lá! Não é por um ou outro que desviou algo (seja verba ou caráter) que todos lá devem ser julgados. A Apae Bauru atende 4 mil pessoas e depende de doações e repasses para continuar levando qualidade de vida a esses indivíduos.

Vamos seguir confiando no trabalho da polícia, e que os culpados sejam penalizados. Mas, da nossa parte, é preciso cuidado. Cuidado para não cometermos outro "homicídio": o da reputação de uma entidade tão importante para tanta gente.

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