ELEIÇÕES 2024

'Deepfakes' desafiam o TSE nas eleições de 2024, diz especialista

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
N2Lab/Divulgação
Advogado José Milagre, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, também alerta para uso de perfis falsos, os 'bots'
Advogado José Milagre, especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, também alerta para uso de perfis falsos, os 'bots'

Mais do que a simples proliferação de notícias falsas, as chamadas "deepfakes" - técnica que combina Inteligência artificial (IA) e vídeos já existentes para criar um fato sem amparo na realidade - representam verdadeiro desafio ao eleitorado na disputa municipal de 2024.

A avaliação é do advogado José Milagre, especialista em direito digital e entrevistado desta segunda-feira no programa Cidade 360.º, uma parceria entre o JC e a 96FM.

"O Tribunal Superior Eleitoral [TSE] tem agora uma nova resolução e pela primeira vez regulamentou normas para combater fake news, deep fake, mentiras", disse Milagre.

"Se restar comprovado que determinado 'deepfake' partiu de um candidato, ele poderá ter até o registro da candidatura cassado", acrescentou.

Segundo o advogado, também está vedada a utilização de "bots" (perfis falsos) e qualquer evidência disso pode ser denunciada ao TSE através do aplicativo "Pardal" ou na plataforma "Siade", o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral.

Milagre também mencionou as recentes novas regras relacionadas ao uso de rede social. "Muita gente fala bobagem. O impulsionamento [de publicações] segue permitido. Mas sempre na rede social do candidato. No CNPJ dele. E não de terceiros", explicou.

Outra conduta agora proibida pelo Código Eleitoral é a compra de seguidores para simular engajamento nas redes. "Mas o pior não é comprar. É vazar dados a partir de órgãos públicos. Ou você formou seu público espontaneamente ou perdeu tempo da campanha", declarou.

Há ainda mudanças recentes sobre o direito de resposta, instrumento que passa a ser permitido nas redes sociais com a diferença de que, ao contrário do prazo de 48 horas para disponibilizar a resposta, como acontece nas televisões e rádios, big techs têm 72 horas para fazê-lo.

Outro problema está em aplicativos como Telegram, que segundo o próprio Milagre "não cumpre decisões judiciais". "Existe a possibilidade de multa [a esses aplicativos] ou até a suspensão", afirmou.

Tribunal Superior

O advogado abordou também a recente decisão do X (ex-Twitter) de deixar o Brasil e ressaltou, por outro lado, que nada muda em relação ao usuário da rede social.

"A grande questão é que não há mais quem receba ordens judiciais do Brasil. Se quiserem, que mandem [carta] precatória para São Francisco, nos EUA, onde as regras são outras e ninguém é obrigado a cumprir decisões abusivas da Justiça brasileira", afirmou.

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