Maria Simei Pieper nasceu em Joinville, em Santa Catarina, e desde cedo demonstrou vontade de trabalhar no Banco do Brasil (BB), que na época oferecia ótimos salários e um cobiçado plano de carreira. Deu certo - mas não da forma como imaginava.
Pieper cursou gestão financeira, mas coube ao vôlei abrir as portas da instituição financeira a ela. Só deixou o esporte porque foi mãe ainda cedo, disse Maria em entrevista ao JC.
Conheceu o beach tennis em 2015 assim que o esporte chegou ao País. Ela morava no Rio de Janeiro na época e foi justamente na capital fluminense que a modalidade, surgida na Itália, foi inaugurada no Brasil.
Decidiu vir a Bauru em 2017 ao lado do marido Vanderlei Mazzuchini, ex-jogador de basquete. Hoje ela está à frente das aulas de beach tennis no Bauru Tênis Clube, onde há também a Arena JC/JCNET, e contou ao JC sua trajetória.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
JC - Conte um pouco sobre você.
Maria - Nasci em Joinville e me mudei em 2008 para São Bernardo do Campo. E em 2014 me mudei para o Rio de Janeiro, onde conheci o beach tennis. Cheguei a me formar em gestão financeira. Mas nunca trabalhei na área.
JC - De onde vem o interesse pelo esporte?
Maria - Na verdade é uma paixão que tenho desde muito nova. Jogava vôlei, por exemplo, e integrei o time do Banco do Brasil e pelo Estado de Santa Catarina. Tinha cerca de 16 anos. O primeiro clube por onde passei foi o Guarani, da minha cidade, e jogávamos pela escola. Tínhamos apoio e ganhávamos bolsa. Só não dei continuidade porque tive filho cedo.
JC - Quais campeonatos você chegou a disputar no vôlei?
Maria - Eu lembro de um que eu gostei muito. Foi um campeonato brasileiro que eu joguei por Santa Catarina. A gente ficou em segundo lugar, perdemos para Brasília, Já no Banco do Brasil eu gostava dos jogos abertos. Foram três anos. Depois joguei também na categoria Master mais tarde.
Disputei no Flamengo, no Fluminense e cheguei a jogar nos Estados Unidos mais tarde. Mas aí era assim: reuníamos uma turma mais velha e a gente escolhia um torneio. Ficamos em segundo lugar em Orlando, por exemplo. As mulheres que gostam de vôlei escolhem um torneio e bancam sua viagem.
JC - E como surgiu o gosto pelo beach tennis?
Maria - Conhecemos o esporte no Rio de Janeiro em 2015 na época em que morávamos lá. O beach tennis surgiu na Itália, mas no Brasil foi o Rio que adotou a modalidade pela primeira vez. Víamos as pessoas jogando na praia e eu e meu marido tivemos interesse. Desde então começamos a jogar.
JC - Você participou, então, dos primórdios do esporte. Hoje ele é muito mais popular. Foi um processo natural?
Maria - A gente tinha ideia de que o beach tennis se popularizaria. É um esporte fácil, praticado na areia, e que reúne a família. Marido e mulher podem jogar juntos, por exemplo, coisa que não vemos em outras modalidades. Mas a pandemia teve um papel fundamental nisso. O beach tennis, afinal, podia ser praticado por ser ao ar livre. Houve um 'boom'.
JC - Como chegou a Bauru?
Maria - Foi em 2017, quando meu marido e eu decidimos nos mudar. No início o beach tennis nem existia em Bauru e viajávamos toda semana para Araraquara somente para jogar. Até que sugerimos para o clube da Luso implementar a modalidade. Meu marido e eu construímos a primeira quadra.
JC - E no BTC?
Maria - Foi em 2020 que me fizeram o convite para levar o esporte ao Bauru Tênis Clube. A ideia fazia muito sentido e de fato deu certo. A nova modalidade chamaria mais sócios ao clube e fidelizaria outros, além de trazer a família para cá. Hoje tenho cerca de 90 alunos aqui que vêm jogar toda semana.
Minha filha de 15 anos adora o esporte. E ganhou recentemente o campeonato sub-16 em São Manuel junto com uma amiga, com quem formou dupla. Ela ganhou pontos inclusive num ranking internacional.
JC - Bauru é bem quente, né? Isso atrapalha?
Maria - É quente, sim, mas não acho que atrapalhe. Geralmente jogamos de manhã, das 7h às 11h, e no final da tarde. Mas tem quem goste de praticar em horários mais quentes. O beach tennis tem um diferencial justamente por ser um esporte democrático. É praticamente um estilo de vida. No basquete, por exemplo, você joga e vai embora. Já o beach tennis, não. Você está jogando com amigos, casais, com quem faz outras programações também. Hoje, meus melhores amigos jogam comigo.
JC - A experiência como professora é nova. Como tem sido a jornada?
Maria - Eu não tive muita dificuldade porque tive aulas com excelentes nomes, como a Samantha [Barijan, jogadora profissional de beach tennis]. Então acabou facilitando.
O QUE DIZ A ATLETA
Disputei no Flamengo, no Fluminense [pelo vôlei] e cheguei a jogar nos Estados Unidos mais tarde
A pandemia teve papel fundamental na difusão do beach tennis, já que o esporte podia ser praticado ao ar livre
Minha filha de 15 anos adora o esporte. E ganhou recentemente o campeonato sub-16 em São Manuel junto com uma amiga, com quem formou dupla