OPINIÃO

Função social do transporte coletivo público urbano

Por Archimedes Azevedo Raia Jr. |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é mestre e doutor em Engenharia de Transportes/USP e Diretor de Mobilidade e Transportes da Assenag

O sistema de transporte coletivo público urbano (TCPU) é meio necessário à realização das atividades socioeconômicas e humanas na realidade das cidades brasileiras. Possui como objetivo precípuo proporcionar a ligação entre os diversos bairros, permitindo à população de mais baixa renda, alternativas de deslocamento segundo padrões mínimos aceitáveis de qualidade e custos. Além disso, reduz significativamente os congestionamentos, a poluição, a quantidade de sinistros de trânsito, bem como o consumo de combustíveis fósseis.

Embora o setor de TCPU tenha reduzido de importância, motivado pela forte valorização dos automóveis e motos, nos últimos 30 anos, ele, na atualidade, é a mais importante ferramenta para suplantar a crise de mobilidade nas cidades brasileiras.

Pode representar a ruptura de um ciclo vicioso que se consolida a partir da ausência de prioridade e de infraestrutura para o TCPU, elevada carga tributária, majoração acima da inflação dos insumos e inúmeras gratuidades de tarifa, perpetuando as desigualdades urbanas.

Priorizar o TCPU contribui para a recuperação de significativa parcela do espaço viário e devolvê-lo à maior parcela da população urbana. Ademais, a ampliação da velocidade operacional, a confiabilidade dos serviços e a redução dos custos operacionais serão constatados em curtos prazos.

As adversidades relacionadas à mobilidade de pessoas e de mercadorias nos ambientes urbanos afetam significativamente a qualidade de vida da população. Isto ocorre devido às externalidades produzidas na oferta de transporte e, adicionalmente, na performance econômica da reprodução social urbana.

Mobilidades ineficientes aumentam as desigualdades socioespaciais e afetam as débeis condições de equilíbrio ambiental nas cidades, o que requer por parte do Poder Público a elaboração e implantação de políticas públicas devidamente aderentes com o fundamental anseio de se edificar uma mobilidade urbana sustentável nos níveis social, ambiental e econômico.

Dispor de sistema de TCPU acessível aos cidadãos, eficiente, com tarifa justa, módica e com qualidade, pode ampliar o acesso à renda, além de (re)educar a população para hábitos mais saudáveis. Severas deficiências do setor de TCPU se instalaram com a ampliação de modos alternativos com a forte valorização do transporte privado motorizado.

Isto vem propiciando prejuízos intoleráveis e se tornaram sérios percalços para o desenvolvimento do Brasil. Tal como deveria ocorrer com a totalidade dos serviços públicos, o TCPU também precisa atender às expectativas de seus clientes, assim como qualquer outro ramo de atividade. Neste caso, é imprescindível o uso de ferramentas para seu aperfeiçoamento, que estimulem maior eficiência dos serviços ofertados.

Para isso é de extrema necessidade que sejam definidos padrões de qualidade e seus respectivos indicadores, que auxiliem no planejamento e na operação do serviço, satisfazendo, assim, os seus clientes, os chamados usuários.

Urge refletir que migrando do automóvel movido por combustíveis fósseis para os elétricos ter-se-á a mitigação de impactos ambientais urbanos.

Equacionados os problemas ambientais, há uma questão pétrea a se levar em conta: dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Carros elétricos também produzirão congestionamentos e ocupação equivocada do espaço público.

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