'SAÚDE EM LUTO'

Após falecimento de jovem, carreata no sábado exigirá mais leitos

Por Isabela Holl | da Redação
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Divulgação
Carreata “Saúde em Luto” está sendo organizada em memória de Maria Eduarda e para evitar novos casos como o dela
Carreata “Saúde em Luto” está sendo organizada em memória de Maria Eduarda e para evitar novos casos como o dela

Bauruenses organizam uma carreata para este sábado (13), às 9h, em protesto contra a falta de leitos hospitalares em Bauru. Vagas em hospitais é de responsabilidade do governo do Estado. A manifestação começará na Praça Pousada II, na rua Pedro de Castro Pereira, e é organizada por amigos e familiares de Maria Eduarda Ferreira da Silva, 17 anos, que morreu na UPA Mary Dota na sexta-feira (5) enquanto aguardava internação.

A jovem permaneceu por mais de 24h aguardando um leito. "Decidimos fazer esta carreata mesmo sabendo que não teremos mais a Maria Eduarda, mas buscando que outras famílias não passem pelo que passamos. Se tivesse a vaga Hospital Estadual (HE), ela poderia ter mais assistência e o sofrimento dela poderia ter sido mais humanizado. Foi muito triste ver ela morrendo aos poucos na nossa frente", afirma Janaina Alves Fernandes, tia da jovem.

Janaina contesta o fato de a cidade depender do Estado para poder internar pacientes e defende a elaboração de um hospital municipal em Bauru. Ela também afirma que há leitos no HE que poderiam ser liberados para pacientes de urgência e que isso não ocorre devido a má organização do hospital.

A familiar ressalta que o caso de Maria Eduarda não foi o primeiro e, se continuar assim, não será o último. De fato não foi: nesta quarta, outro paciente morreu à espera de vaga (leia mais acima). "Os pacientes, além de descobrirem uma enfermidade, ainda têm que lidar com a dúvida de se vão conseguir um tratamento digno. Por isso, queremos chamar a população para ir às ruas para lutar pelo nosso direito de ter uma saúde pública digna", ressalta Janaina.

De acordo com a Prefeitura de Bauru, o projeto básico do Hospital Dia Municipal está em fase final de elaboração e as licitações para construção estão previstas para serem abertas neste mês ou em agosto. A prefeita afirma que pretende começar as obras até o final deste ano. A previsão é de que haja 60 leitos de internação, sendo seis para UTI.

O ato terá início na Praça Pousada II e encerrará na sede da Prefeitura na Praça das Cerejeiras, 1-59, na Vila Noemy. O Hospital Estadual de Bauru e o governo do Estado foram contatados, mas não responderam até a conclusão desta edição.

Vereadores falam em omissão do município e do Estado

Vereadores criticaram nesta quarta-feira (10) a crise que a saúde enfrenta após mais uma morte em Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

O vereador Markinho Souza (MDB) questionou, por exemplo, os efeitos práticos dos leitos que o Estado diz ter aberto no Hospital das Clínicas (HC). Coronel Meira (Novo), por sua vez, afirmou que a saúde não é prioridade ao governo municipal e tampouco ao estadual. "O senhor, governador, teve meu voto. Mas não mais terá", disse Meira num duro discurso que também não poupou críticas à prefeitura. "Se sua preocupação fosse mesmo salvar vidas, enquanto não sai o Hospital Municipal, ela teria dado o 'ok' para a proposta da Secretaria de Saúde de contratar leitos nas Santas Casas da região, que estão desocupados. Motivos não faltam: neste momento, 50 pessoas estão nas UPAs ou no Pronto-Socorro, nas vergonhosas filas por internação", apontou.

Júnior Lokadora (Podemos) também comentou. "Quantos mais serão?", indagou o parlamentar. Para Estela Almagro (PT), a crise não deixa de ser uma tragédia anunciada. "É um projeto de sucateamento da saúde", disparou.

Já o vereador Fabiano Mariano (Solidariedade), por sua vez, também entrou no tema durante discurso.

"Não é possível que essa situação perdure por tanto tempo", observou. "Estado e município têm responsabilidade", disse.

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