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Cuidados paliativos: práticas que fazem toda diferença

Por Eduardo F Filho |
| Tempo de leitura: 4 min
Segundo estudo, dos 171 pacientes que participaram da pesquisa, 62% tiveram alta e foram para casa
Segundo estudo, dos 171 pacientes que participaram da pesquisa, 62% tiveram alta e foram para casa

O termo paliativismo é usado para definir o conjunto de práticas de assistência a pacientes com doenças incuráveis, que visa oferecer conforto, dignidade e diminuição do sofrimento. Os cuidados paliativos são muito associados a casos em que a doença está em estágio avançado. É isso que uma médica do Rio pretende desmistificar.

Cecília Emerick Mendes acompanhou 171 pacientes do Hospital Marcos Moraes, uma unidade da Oncoclínicas no Méier, de fevereiro a dezembro do ano passado e relatou em um estudo a importância de ter uma equipe de cuidados paliativos dentro do complexo de saúde, o que permitiu um tratamento personalizado e mais especializado aos pacientes.

O estudo foi publicado na plataforma digital da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), que promove o maior encontro anual de oncologia do mundo.

"As pessoas têm uma percepção de que os cuidados paliativos são necessários apenas no final da vida, mas não é verdade. Eles são uma estratégia de acolhimento, para amenizar o sofrimento para aquela determinada fase da doença. A nossa intenção é oferecer esse tipo de tratamento em todas as etapas dentro do hospital. Desde o ambulatorial, quando o paciente chega e tem uma certa independência em relação à doença, ou seja, consegue se locomover e voltar para casa, até o hospitalar, quando a doença já o impossibilita de fazer algumas práticas sozinho", explicou a médica paliativista. De acordo com o estudo, dos 171 pacientes que participaram da pesquisa, 62% tiveram alta e foram para casa - porém, a médica não sabe se continuaram o tratamento em casa - e 38% morreram. Do total de mortes, 31% faleceram na UTI.

'MUITO FELIZES COM O RESULTADO'

Segundo a pesquisadora, no Rio, existem 11 unidades de cuidados paliativos, que criam desafios no atendimento às complexas necessidades dos pacientes com câncer metastático. Os profissionais envolvidos são preparados para olhar, por exemplo, os valores de quem está em tratamento, consideram aspectos religiosos e gostos pessoais, entre outras características.

Além de Cecília, o estudo foi assinado pelas médicas paliativistas Daniela Chimeli, Merian Albuquerque, Tamina Ferreira, Carolina Alves Ribeiro e Sarah Ananda Gomes e pela enfermeira paliativista Simone Carvalho.

"Ficamos muito felizes com o resultado. Esses números são esforço de todo o hospital, de toda a equipe multidisciplinar. Seguir protocolos é muito importante, mas quando falamos de cuidados paliativos, temos que nos colocar na posição de ouvintes sobre o que o paciente deseja", destaca Cecília.

Aspectos religiosos e gostos pessoais também são levados em consideração.

ACOMODAÇÃO HUMANIZADA

Com cuidados paliativos, é possível reduzir o número de mortes em UTI, permitindo acomodação mais humanizada em enfermarias e em casa. Se você perguntar para o paciente em fase final de vida onde ele prefere morrer, eles vão muito provavelmente dizer que querem ir para casa, ficar com a família. UTI não é lugar de morrer. É entrar e reverter uma condição crítica. "Meu grande objetivo de vida é criar um local onde há esses cuidados paliativos que se assemelham à casa do paciente. Ele não precisa mais da UTI, mas necessita de conforto e menos sofrimento para seus últimos momentos. É como se fosse uma hospedaria com acesso a médicos especializados", afirma Cecília.

QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE EUTANÁSIA, MORTE ASSISTIDA, ORTOTANÁSIA E SEDAÇÃO PALIATIVA?

Etimologicamente eutanásia, significa “morte boa” (eu = bom/boa; thánatos = morte) ou “morte sem grandes sofrimentos”. Eutanásia ativa nada mais é que uma das classificações conferidas pela doutrina, à eutanásia. De maneira simples, é o ato deliberado de provocar a morte sem sofrimento do paciente. É chamada de ativa, pois importa em conduta comissiva, haja vista que se pratica um ato lesivo, que, dentro de certas circunstâncias e condições, conduz o paciente à morte desejada. É o exemplo da injeção letal. Note-se que a criação do risco, em tal situação, corre por conta do próprio agente, e, não do paciente. (não do paciente). Concluindo: eutanásia ativa é o mesmo que causar a morte de um paciente terminal, a pedido dele, respeitando-se uma série de condições. Já a morte assistida (ou suicídio assistido ou morte medicamente assistida) consiste no auxílio para a morte de uma pessoa, que pratica pessoalmente o ato que conduz à sua morte (ao seu suicídio). Há de se notar que na morte assistida a criação do risco é gerada pelo próprio paciente (essa é uma forma de autocolocação em risco, diante de conduta própria). O agente (o terceiro), nesse caso, apenas auxilia, não originando o ato criador do risco. Nisso é que a morte assistida difere da eutanásia. A ortotanásia (também chamada de eutanásia passiva e que, etimologicamente, significa morte no tempo certo) caracteriza-se pela limitação ou suspensão do esforço terapêutico, ou seja, do tratamento ou dos procedimentos que estão prolongando a vida de doentes terminais, sem chance de cura. O desligamento de aparelhos configura, inequivocamente, ortotanásia.

Por fim, a sedação paliativa consiste em suavizar, por meio de medicamentos, a dor do paciente. Ela procura evitar (ou diminuir) o sofrimento da pessoa em estado terminal. Mas nesse caso não se antecipa o momento da morte. Nas três situações acima descritas (eutanásia ativa, morte assistida e ortotanásia) há antecipação do momento da morte. Isso não ocorre na mera sedação paliativa. (Patricia Donati de Almeida)

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