Dados publicados pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Lençóis (CBH-RL) em sua página no Facebook revelam que os cinco primeiros meses de 2024 apresentaram os piores déficits pluviométricos para o período na bacia do rio Lençóis dos últimos 107 anos. "Segundo os levantamentos feitos, a crise hídrica por falta de chuvas é algo inédito", diz o Comitê na postagem.
De acordo com o órgão, de janeiro até maio deste ano, o déficit total de chuva acumulado na bacia do rio Lençóis foi de 1.452 milímetros. "Desde 1917, quando começaram as medições de chuvas na bacia do rio Lençóis pela extinta Empresa Força e Luz de São Manoel, não há registros de déficits pluviométricos severos como os registrados em 2024", revela a publicação.
O mês de janeiro foi o mais crítico, com déficit de 1.131 milímetros. "Desde o ano 1966, não era registrado um janeiro tão deficitário de chuvas como em 2024", afirma. No meses de abril e maio, os déficits foram, respectivamente, de 168 e 528 milímetros. Em fevereiro, houve superávit de 375 milímetros. Em março, os índices ficaram dentro das cotas mínimas e máximas.
"Apenas para comparação, de janeiro a maio de 2021, onde cotas nominais livres registraram seus priores índices negativos (até então), os déficits pluviométricos estavam em 544 milímetros (na área total da bacia hidrográfica). De janeiro a maio de 2024, esses valores estão 167% a mais que 2021", ressalta o Comitê, índice que representa apenas 26% do total da cota padrão anual, quando o normal seria entre 50 e 60%.