FURTOS PELA CIDADE

Bauru tem 1 furto a cada duas horas, que vai de poste a grama


| Tempo de leitura: 4 min
Guilherme Matos
Poste é arrancado para furto de fiação e transformador, no Sambódromo
Poste é arrancado para furto de fiação e transformador, no Sambódromo

Furto de grama recém-colocada em praça pública ou a subtração de peças de picanha pela mesma pessoa, no mesmo estabelecimento, em um período de sete dias, são exemplos de furtos registrados em Bauru, onde nos primeiros quatro meses de 2024 ocorreram 1.558 delitos dessa natureza, segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP). De acordo com eles, a cada duas horas, um caso acontece na cidade.

Muitos nem chegam à delegacia de polícia, que recebe com frequência proprietários de imóveis em construção, de onde são levados portões, fiação e até telhas. Câmeras de segurança no Calçadão da Batista de Carvalho já flagraram um homem furtando um poste ornamental, conforme divulgou o JC, no ano passado. No mesmo local, também já levaram plantas de vasos, sem contar os produtos subtraído de algumas lojas.

Na semana passada, inclusive, moradores vizinhos ao Sambódromo procuraram a redação para informar que postes de energia elétrica teriam sido derrubados para que a fiação de cobre e transformadores de energia recém-instalados pela prefeitura fossem obtidos, algo que surpreendeu moradores da região.

"Nunca vi um negócio desses: a pessoa ter a audácia para pegar ferramentas e derrubar um poste para furtar. Eu não me conformo", afirma um munícipe que preferiu não se identificar.

ELEMENTOS

Somente um conjunto de fatores é capaz de explicar a conduta dos furtadores, avalia o delegado Alexandre Protopsaltis, coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ). Entre os aspectos está o vício em substâncias ilícitas. "Não posso cravar um número, mas cerca de 90% da destinação desses objetos furtados acaba sendo por compra ou troca para uso de drogas".

Uma solução apontada por ele seria a fiscalização de intermediários - os ferros-velhos da região. Há oito meses, especificamente em 11 de setembro de 2023, foi sancionada pela Mesa Diretora da Câmara Municipal, a Lei nº 7729 que regulamenta os estabelecimentos que reciclam sucatas.

Ela prevê que estes locais instalem câmeras de segurança para identificar a entrada e saída de pessoas. Também estabelece que identifiquem e mantenham registros de compra e venda de mercadorias. Em caso de não cumprimento, há previsão de multa.

De acordo com o vereador Coronel Meira (Novo), a lei foi aprovada pela Mesa Diretora do Legislativo porque a prefeita Suéllen Rosim (PSD) não a sancionou e sua implementação total depende também de decreto para regulamentá-la. A previsão é que isso ocorra em 90 dias, segundo o parlamentar Renato Purini (MDB), que recentemente deixou a titularidade da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan).

"Já houve operações feitas pela polícia diante a essa lei, mas há necessidade de regulamentação por decreto. Haverá a criação de um grupo disciplinar envolvendo a Seplan, Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Saúde, DAE, CPFL, telefônicas, Polícia Militar, Polícia Civil e representantes da sociedade civil", explica Purini. A ideia, acrescenta, é definir as formas de fiscalização.

OUTROS ASPECTOS

O delegado Alexandre Protopsaltis acrescenta que, além dos crimes movidos por uso de drogas, a falta de senso de coletividade também é um fator que pode ajudar a explicar a incidência de furtos, na cidade. "É um bem público que está disponível para todos. Não passa pela cabeça da pessoa que ela está causando um prejuízo aos outros cidadãos?", questiona.

Outra questão apontada por ele diz respeito a áreas desprotegidas e com baixa luminosidade, que facilitam o delito, especialmente quando não há vigilância. "A ocasião faz o ladrão. A grama, por exemplo, estava fácil de ser subtraída. Acabam levando pela oportunidade daquele momento. O furtador geralmente procura o que está mais fácil para ele", destaca. Sendo assim, quem pratica o delito busca imóveis vazios, com muros baixos, sem cercas ou câmeras de vigilância que os protejam.

SAMBÓDROMO

"Propus que eles (a Secretaria de Cultura) colocassem um vigia ou utilizassem aquele espaço de alguma forma, porque está abandonado", comentou o morador que denunciou a queda de postes para a prática de furtos. De acordo com ele, já chegou a cinco o número de estruturas derrubadas. Já a prefeitura, por meio de sua assessoria, confirma um.

A CPFL Paulista informa que registrou danos causados ao sistema elétrico que distribui energia no sambódromo, mas acrescenta que a rede afetada abastece exclusivamente o recinto. Sendo assim, não houve interrupção no fornecimento de energia aos clientes da região. A concessionária aguarda a avaliação da administração municipal, responsável também pela segurança do lugar, para definir a reposição da rede.

Por sua vez, a Secretaria de Cultura ressalta que, após receber a denúncia do morador, acionou a PM, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), a Obras e a Secretaria das Administrações Regionais (Sear). Equipes das pastas se dirigiram até o local.

"Outros postes foram avariados, porém não derrubados. Houve a troca desses postes avariados, inclusive o que foi derrubado. A Polícia Militar atende a solicitação para averiguações na referida área, uma vez que é frequentada por moradores em situação de rua e usuários de drogas. As edificações de telhas existentes no local foram retiradas, pois serviam de cobertura e abrigo para essa população no local", informa a nota.

Placas de grama foram furtadas em praça no Núcleo Beija Flor (crédito: Divulgação)
Placas de grama foram furtadas em praça no Núcleo Beija Flor (crédito: Divulgação)
Postes de iluminação pública são furtados no Sambódromo de Bauru, além de transformadores (crédito: Guilherme Matos)
Postes de iluminação pública são furtados no Sambódromo de Bauru, além de transformadores (crédito: Guilherme Matos)

Comentários

1 Comentários

  • Hilda 31/05/2024
    Isso é vagabundagem! É só trabalhar que consegue adquirir. Só que não... o negócio é ter inveja do outro e furtar só pro outro não ter. Cultura e alma, muito pobres.