INVESTIGAÇÕES

Deic analisa 2 mil vídeos no caso de suspeito do triplo homicídio

Por Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Larissa Bastos
Adolescente de 16 anos e dois jovens, de 18 e 20 anos, foram ouvidos pelo delegado Cledson Nascimento
Adolescente de 16 anos e dois jovens, de 18 e 20 anos, foram ouvidos pelo delegado Cledson Nascimento

Após analisar cerca de 2 mil vídeos e 48 horas de gravações, a Policia Civil, através da 3.ª Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (3.ª DH/Deic) de Bauru, identificou o trio que acompanhava o adolescente de 15 anos suspeito de triplo homicídio em Agudos (leia mais abaixo) quando ele morreu em um prédio em construção na avenida Doutor Adolpho Miraglia, na Vila Regina, em Bauru. Os três foram ouvidos nesta quarta-feira (29) e sustentaram a versão de queda acidental. A Polícia Civil ainda aguarda laudo da perícia para concluir as investigações sobre o caso, registrado como morte suspeita.

Segundo o delegado titular da 3.ª DH/Deic, Cledson do Nascimento, as imagens analisadas pela unidade revelaram que, na tarde do último sábado (25), quatro indivíduos entraram no prédio abandonado, um deles com blusa semelhante à encontrada com a vítima, e somente três saíram. Câmeras também registraram a presença do trio no local, no térreo, próximo ao ponto onde o corpo estava.

Os três - um adolescente de 16 anos e dois jovens, de 18 e 20 anos -, todos moradores de Agudos, foram identificados e, nesta quarta, levados à Deic para prestarem depoimento. O primeiro, inclusive, já tinha sido ouvido na Delegacia de Agudos e revelado que o suspeito do triplo homicídio lhe confidenciou o roubo de R$ 800,00 e uma joia da residência do casal de aposentados Joana de Fátima Sanches Carrasco, 70, e Aparecido Roberto Carrasco, 74. O adolescente, porém, segundo a versão do amigo, não teria mencionado os homicídios dos idosos e do genro deles, o autônomo Valdinei de Sousa, 57.

Em depoimento na Deic de Bauru, o trio disse que, na manhã de sábado (25), após usarem maconha, os quatro resolveram vir para Bauru onde, sempre custeados pelo adolescente que foi encontrado morto, compraram tintas spray para pichação e “respingo de solda” para usarem como alucinógeno. Eles também teriam comprado salgados, refrigerantes e lanches em um mercado e, logo depois, foram até o prédio abandonado, no último andar, para consumir a maconha, o “respingo de solda” e os salgados.

No local, durante a perícia, equipe da 3.ª DH chegou a apreender pacotes de salgados, lata de tinta e o “respingo de solda”. "Na versão dos três, quando saíam do local, já próximo ao térreo, o adolescente disse que voltaria para apanhar seus chinelos e, logo em seguida, escutaram um forte estrondo e, quando foram ver, o mesmo estava caído no vão lateral, com vários ferimentos", revela o titular da Deic em nota.

"Disseram que mexeram no mesmo, que em poucos segundos parou de respirar, retiraram sua bermuda para pegar o resto do dinheiro que estava com ele (cerca de R$ 30,00) e, assim, voltaram para Agudos no próximo circular, combinando de não contarem nada a ninguém".

Os três alegaram que não pediram socorro porque temiam ser responsabilizados pela morte do amigo e afirmaram que todos estavam bastante alterados pelo uso do alucinógeno. Após o depoimento, todos foram liberados. Ainda de acordo com Nascimento, preliminarmente, perito que analisou o corpo do adolescente declarou não ter encontrado lesões de defesa ou algo que indicasse uma agressão anterior e disse que os ferimentos apresentados por ele eram compatíveis com a queda (fraturas de fêmur e da cervical).

Investigações

O adolescente de 15 anos suspeito de assassinar três pessoas de uma mesma família, na última sexta (24), em Agudos (13 quilômetros de Bauru), teria confidenciado a um amigo, de 16 anos, que roubou da residência das vítimas R$ 800,00 em dinheiro e uma joia, que seria uma corrente ou um colar.

Nesta quarta (29), policias civis obtiveram imagens de uma câmera de segurança nas proximidades do imóvel onde ocorreu o triplo homicídio que mostram o adolescente, vizinho de duas das vítimas, carregando duas sacolas pretas. As equipes fazem diligências em busca de mais imagens para tentar encontrar o local onde esses objetos foram deixados. A polícia acredita que, nas sacolas, possa estar a faca usada no crime.

Conforme divulgado pelo JCNET/Sampi, os dois idosos e o genro deles foram encontrados mortos por uma mulher de 46 anos, esposa e filha das vítimas, que foi até a residência do casal, na avenida João Pessoa, no bairro Professor Simões, por volta das 10h30, após não conseguir contato telefônico com seu marido, que havia saído para caminhar, e com seus pais. O autônomo costumava visitar os sogros todas as manhã.

De acordo com o registro policial, o corpo do aposentado estava próximo ao fogão, na cozinha, e tinha perfurações no pescoço. Já a aposentada foi encontrada caída em outro cômodo, com golpes de faca na parte de trás do pescoço. O corpo de Valdinei foi localizado em outro cômodo, também com marcas de facadas no pescoço. A quantidade de golpes que cada um levou será levantada apenas após a perícia.

Equipe do Corpo de Bombeiros retirou da casa um botijão de gás que estava pegando fogo na cozinha. Segundo o BO, três bocas do fogão estavam acesas e um pano estava incendiado sobre ele. Investigações preliminares apontam que o adolescente teria subido no telhado de sua casa e entrado no imóvel das vítimas pelos fundos. O aparelho celular do aposentado não foi encontrado na residência.

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