Aguardada por décadas, a revitalização de trecho do Jardim Paulista, em Bauru, começou. Os terrenos abandonados, com mato alto, tomados pela água em dias de chuva, agora cederão espaço a um canteiro de obras que resultará na instalação de galerias de águas pluviais e na construção de um reservatório (piscinão). O objetivo é o de mitigar problemas recorrentes que atingem os moradores do bairro e adjacências, como é o caso do Jardim Estoril 5, localizado no ponto mais baixo de toda a microbacia hidrográfica da região, afetados em períodos de chuva intensa.
Os trabalhos estão sob a responsabilidade da empresa Maria Santa Locação e Obras Ltda EPP, com previsão de término em oito meses. O investimento final é de cerca de R$ 4 milhões.
O aporte é capaz de acabar com um pesadelo de 45 anos para José Ovidio Pighinelli, proprietário de um terreno na região. Ele conta que a demanda dele e de outros moradores do bairro perpassou a gestão de diversos prefeitos, sendo que apenas agora o problema começa a ser resolvido. Mas para tanto foi necessária a intervenção do Ministério Público (MP), que acionou o Executivo. Após uma ação civil pública movida pelo promotor de Habitação e Urbanismo, Henrique Varonez, um acordo foi firmado.
Ao JC, o promotor explicou que o Jardim Paulista foi loteado em 1950, bem antes, portanto, da lei sobre parcelamento do solo, de 1979, que obriga o loteador a implementar equipamentos urbanos de escoamento das águas pluviais, iluminação pública, rede de água e esgoto, energia elétrica e vias de circulação.
IMPACTO
Para construção do reservatório, a prefeitura precisará remover oito árvores de uma praça localizada no Jardim Estoril III, entre o Jardim Paulista o Estoril 5. A fim de minimizar o impacto ambiental, outras 120 serão plantadas em uma área institucional da prefeitura, que será convertida em área verde.
A Secretaria de obras ressalta que será o dobro de área verde para a região (eram 3 mil m² no local que receberá o piscinão e a nova área verde terá mais 6 mil m²). Além disso, foram elaborados estudos para a criação de uma pista de caminhada na nova área.
Quanto ao trânsito, a Secretaria de Obras afirma que "por tratar-se de abertura de rua, não há impacto direto, pois as ruas em questão não estão em uso pela população".
GALERIAS
Além das galerias e do piscinão com volume de 5.181,77 m³, o edital prevê a instalação de mais de 8 mil m²; 1.800 m de guias e sarjetas, além de cerca de 4.900 m² de calçada. O projeto também prevê 28 poços de visita de 30 bocas de lobo duplas.
A Secretaria de Obras explicou, ainda, que a escolha do reservatório de retenção como alternativa para frear os problemas gerados pelas chuvas na área foi a solução mais viável econômica e socialmente.
"Qualquer outra solução possível envolve desapropriações na região a montante (ponto mais baixo para o mais alto) para que o subdimensionamento de rede fosse corrigido. O que geraria um valor inexequível para a administração, por tratar-se de região extremamente valorizada, e um impacto social imensurável para os moradores", informa por nota.
A pasta salienta que, no pior cenário, o tempo de esvaziamento total do reservatório não supera 4h, e que o entorno será cercado para garantir segurança aos moradores.