EM BAURU

Estiagem piora crise hídrica e DAE aposta em interligações

Por André Fleury Moraes | da Redação
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André Fleury Moraes
O presidente do DAE, Leandro Joaquim
O presidente do DAE, Leandro Joaquim

A bolha de calor que se formou sobre parte do Sudeste do País e que impede a chegada da frente fria da região Sul - que recebeu toda a chuva que seria distribuída ao território nacional - abala ainda mais a já crítica situação hídrica em Bauru. A estiagem deve se prolongar e não há previsão de chuvas por ora. Para piorar, o regime de chuvas no final do ano passado também não colaborou - as precipitações representaram 40% do esperado.

O problema expõe a dependência que bairros de Bauru ainda têm sobre as águas da lagoa de captação do Rio Batalha - hoje o leito é responsável pelo abastecimento de cerca de 27% do município. E o Departamento de Água e Esgoto (DAE) trabalha numa solução para reduzir isso, iniciativa que não envolve necessariamente a perfuração de novos poços.

Segundo o presidente da autarquia, o engenheiro Leandro Joaquim, a aposta neste momento envolve a interligação dos poços e reservatórios já existentes - o que garante previsibilidade aos técnicos do DAE quando o assunto é o destino das águas nas tubulações subterrâneas.

"Até o fim do mês, somando ao que fizemos no último ano, teremos ações para interligar poços. Principalmente o reservatório da Praça Portugal, que recebe água do Batalha", explica o engenheiro.

"Se eliminarmos a necessidade de abastecer esse reservatório [com água da lagoa], redistribuindo água para o poço do Infante Dom Henrique e do Jardim América, reduzimos a necessidade que as regiões do Centro e do Altos da Cidade têm sobre o Rio Batalha", complementa.

Na semana que vem, diz o presidente, a autarquia deve atuar para aumentar a capacidade de produção de água do poço do Jardim Niceia. "O plano é trocar a bomba e o painel. Com isso conseguimos aumentar [a captação] em 50 mil litros por hora. Ao final do dia teremos um milhão de litros a mais", pontua.

O DAE já reconhece que os aquíferos Guarani e Bauru começaram a dar sinais de colapso em algumas regiões do município - problema causado pela retirada de água num volume superior ao que os reservatórios naturais produzem.

A interligação também tem o objetivo de aliviar a exploração desses aquíferos. "Pretendemos, por exemplo, trazer água do Distrito Industrial 3, onde temos poços. A ideia é levar esse recurso para o Jardim Bela Vista", afirma Joaquim.

A autarquia também trabalha em medidas para ampliar a capacidade de reservação hídrica da lagoa do Batalha - já iniciou, por exemplo, um processo para retirar as macrófitas que boiam sobre a água. O trabalho é feito em parceria com pesquisadores da Unesp de Botucatu. "Mas o assoreamento não é o principal problema", frisa.

Segundo o engenheiro, retirar um metro de resíduos que assoreiam a lagoa vai garantir água por mais uma semana, por exemplo. O problema é que isso não se reflete em maior produção hídrica. "A vazão da lagoa continuará sendo a mesma", pontua.

A autarquia, aliás, constatou a exata quantidade de água que entra no reservatório do Batalha. "Diminuímos a captação para 280 litros por segundo e o nível da lagoa estabilizou. Isso significa que entram 280 litros por segundo", explica o presidente do DAE.

Rodízio começa hoje na região abastecida pelo Rio Batalha

O rodízio sobre o abastecimento de água em Bauru começa hoje (9) e só vale para as regiões abastecidas pelo Rio Batalha. O racionamento ocorre no sistema de 24h de abastecimento por 48h de interrupção. Afeta três divisões de bairros. O primeiro envolve Parque Sabiás e Vila Independência, o segundo, o Centro, Altos da Cidade e Ouro Verde e o terceiro, por sua vez, Vila Falcão e Jardim Bela Vista.


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