TENSÃO

Estela critica defesa da Câmara contra Adin e diz que argumentos são superficiais

Por André Fleury Moraes | da Redação
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André Fleury Moraes
A vereadora Estela Almagro (PT)
A vereadora Estela Almagro (PT)

Em dura mensagem encaminhada na manhã deste sábado (27) no grupo de WhatsApp do qual fazem parte os 17 vereadores de Bauru, Estela Almagro (PT) fez duras críticas à peça da Câmara encaminhada ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que pede o indeferimento da liminar que pode derrubar uma série de prerrogativas dos parlamentares, como o acesso irrestrito a repartições públicas por parte de comissões de inquérito.

No texto, a petista afirma que a defesa protocolada pela Casa é "superficial" e não aponta argumentos aprofundados a respeito dos pontos contestados pela prefeitura, sobretudo no que tange às convocações. 

"Noto em breve leitura que a peça não possui o mesmo cuidado e rica abordagem jurídica que teve a Adin que requereu mudança de quorum para aprovação do PL 28/23 [projeto de lei que autoriza a concessão do sistema de esgoto à iniciativa privada] e foram feitas pelos mesmos colegas", disse a petista na mensagem à qual o JC teve acesso.

Ela se refere à ação proposta pela própria Mesa Diretora da Câmara que derrubou a exigência de maioria qualificada para aprovar questões como concessão de serviços públicos, entre outras coisas. A direção da Casa ajuizou o processo sem comunicar os parlamentares, o que desgastou ainda mais a relação entre a oposição e a presidência.

A petista afirma ainda que "a defesa apresentada pode se configurar uma armadilha patrocinada a priori pela prefeita, mas agora potencialmente ampliada por uma defesa tímida, ruborizada e insuficiente [da Câmara]".

"Uma defesa razoável deveria atacar e impugnar ponto a ponto o pleiteado na peça apresentada por aquela que de forma inequívoca quer atacar, precarizar e enfraquecer o papel do Legislativo. Mas não é o que se depreende da iniciativa na réplica", complementa.

Como noticiou o JC, a consultoria jurídica da Câmara protocolou na noite de sexta (26) uma resposta à Adin ajuizada pela prefeita Suéllen Rosim (PSD) no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

A Câmara alega que "a prefeita sempre compactuou com as convocações, tanto que apresenta requerimentos atendidos" e ressaltou que não há perigo evidente que sustente a concessão de medida liminar. 

"O diálogo estava sendo tratado de forma institucional entre os Poderes", lembrou. O consultor, Rafael Ribeiro, se referiu a uma reunião realizada na quinta (25) na qual a Mesa Diretora da Câmara pediu parcimônia à administração no caso de convocações.

A Casa diz também que o dispositivo sobre as convocações segue a Constituição Estadual e que "suspender a eficácia da lei municipal sem que se aponte a inconstitucionalidade da Carta Paulista não seria possível" - o Legislativo já firmou entendimento de que é vedada a convocação de servidores, ao contrário do que ocorre com chefes de órgãos da administração.

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