Jaú - Com redução drástica de recursos em razão de mudanças na metodologia de repasses por parte do Governo do Estado, aliadas a falhas no sistema de processamento de dados de atendimentos, o Hospital Thereza Perlatti de Jaú (47 quilômetros de Bauru), referência para casos de saúde mental de 68 cidades da região há 65 anos, anunciou, na última semana, a interrupção dos serviços em três setores e demissão de funcionários. Para tentar solucionar o impasse, reunião entre a entidade e a Secretaria de Estado da Saúde foi agendada para esta quarta-feira (3).
Ofício informando sobre a atual situação financeira do hospital e cobrando providências foi encaminhado à Promotoria de Justiça, Defensoria Pública, Secretaria Estadual da Saúde, Prefeitura e Câmara Municipal de Jaú. No documento, a entidade diz que a queda nos repasses impossibilita a continuidade das internações nos setores de Dependência Química e Unidade de Crise (ambos masculino e feminino), onde os pacientes ficam, em média, de 15 a 30 dias.
Isso representa o fechamento de 121 leitos, regulados pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), e o desligamento de cerca de 100 funcionários, de um total de 230. "O atendimento aos pacientes moradores, setor neurológico, lar abrigado e hospital dia terá continuidade, lembrando que são, em sua maioria, pacientes de alto grau de dependência e com pouco ou nenhum vínculo familiar", informa.
O presidente do hospital, Antonio Aparecido Rossi, define a situação financeira como crítica. "O valor da diária que a gente recebe pelo SUS é muito baixo e não cobre o custo do hospital", afirma. Porém, segundo ele, desde 2016, subvenção estadual mensal de R$ 198 mil intermediada pelo ex-deputado Pedro Tobias ajudou a manter os atendimentos.
"Esse recurso deu uma equilibrada para o hospital se manter aberto naquela época de crise. Isso perdurou até o governo passado", conta. Em 2022, com o programa Mais Santas Casas, o valor passou para R$ 207 mil. Com o anúncio da Tabela SUS Paulista, de acordo com Rossi, já havia uma estimativa de perda de R$ 25 mil. Porém, o valor depositado este mês foi de apenas R$ 82 mil.
Em relação aos repasses do SUS, o presidente ressalta que, por ser regulado via Cross, o Perlatti precisa manter estrutura de 260 leitos. "Depois da pandemia, o hospital estava com uma média de 200 pacientes. A gente não estava com o hospital cheio, mas tinha que manter o quadro de funcionários e estrutura para 260 pacientes. Então, até dezembro, estava recebendo o teto do SUS, que era algo em torno de R$ 380 mil", diz.
"A partir do advento do SUS Paulista, o teto máximo não existe mais. A gente vai receber por produção. Só nesse formato, a gente perderia uns R$ 100 mil". No final de fevereiro, falha no sistema de processamento de dados, que deixou de constar a entidade como de saúde mental, resultou no repasse de apenas R$ 37 mil do SUS. "E não há uma clareza, uma perspectiva, de quando esse dinheiro vai ser pago. A gente está sem recurso", desabafa.
Rossi espera que a reunião com o Governo do Estado, nesta quarta, possa solucionar o impasse. "Para continuar, a gente tem que ter um financiamento digno para, pelo menos, cobrir o custo do hospital. A gente trabalha na filantropia, mas o hospital se endivida a cada mês".
Em nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Bauru informou que o repasse de recursos referente a fevereiro de 2024 para o Thereza Perlatti, foi regularizado. "Os demais recursos estão em fase de tratativa", alega. "Assim que o DRS foi notificado pela unidade sobre a suspensão das internações, começou a trabalhar para ampliar a oferta de leitos junto ao Hospital Manoel de Abreu, Cais Clemente Ferreira, Sarad e Cantídio".