ENTREVISTA DA SEMANA

Bauruense César Esmeraldi: liderança estudantil nos EUA

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Guilherme Matos
César Esmeraldi, entrevistado da semana
César Esmeraldi, entrevistado da semana

O jovem César Esmeraldi desembarcou nos Estados Unidos em 2015 com a família sem saber falar inglês e, menos de uma década depois, aos 23 anos, tornou-se o primeiro presidente brasileiro do governo estudantil da Universidade do Sul da Flórida (USF), em Tampa.

Nascido em Bauru, ele descobriu cedo sua paixão pelo basquete, alimentada pelas visitas aos EUA com a família, ainda na condição de turista. Na "Cidade sem Limites", chegou a jogar na categoria de base do Bauru Basket, mas o projeto de emigração familiar - incluindo os pais, Gerson e Renata, e o irmão Caio - à Flórida fez os sonhos mudarem.

Enquanto aprendia inglês e espanhol, César seguiu praticando o esporte, que ajudou a moldar sua capacidade de conduzir ações em equipe. Ao ingressar na USF, uma das 50 melhores universidades públicas do país, emergiu como líder estudantil e, em 2023, foi eleito presidente, representando mais de 50 mil alunos, entre eles centenas de brasileiros e inúmeros da comunidade internacional.

Como membro da Associação de Estudantes da Flórida (FSA), César irá, nesta terça-feira (19), encontrar-se com autoridades políticas no Congresso, em Washington. Com uma trajetória produtiva até aqui, ele pretende formar-se advogado, seguindo os passos dos pais, mas não descarta a possibilidade de ingressar na política, ciente do impacto positivo que líderes comprometidos podem ter em suas comunidades. Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista concedida por ele em sua mais recente visita a Bauru, nesta semana.

JC - Antes de ir para os EUA, como foi sua vida em Bauru?

César - Vivi aqui até os 15 anos, mas visitava os EUA com a família e nutri uma paixão grande pelo basquete. Cheguei a participar de alguns camps (acampamentos) do Orlando Magic e, em Bauru, joguei na Criarte e no Luso, de onde migrei para a categoria de base do Bauru Basket. Lá, joguei por uns oito meses, quando me mudei para os EUA, em 2015. Minha família tinha investido em uma imobiliária, uma administradora de casas de veraneio e uma empresa de coworking na Flórida, por meio dos quais conseguimos o visto. No início foi difícil, porque não falava inglês, mas fiz o primeiro semestre da high school pelo programa Esol, com aulas também de inglês a alunos que não falavam o idioma. E o basquete também me ajudou a ter fluência.

JC - A ideia inicial era jogar basquete? O que mudou ao longo do tempo?

César - Joguei por três anos no time da Celebration High School, em campeonato estudantil, que chega a ser televisionado. No último ano, me lesionei. Porém, o espírito de liderança é forte não só no esporte, mas em todo o sistema americano. Por exemplo, para ter bolsa em faculdade da Flórida, existem critérios, como alcançar nota no Scholastic Aptitude Test, que é o Enem de lá, e fazer serviço comunitário. E, como eu queria bolsa, entrei no Interarct, do Rotary, e comecei a participar de eventos de liderança. O primeiro que ajudei a organizar, na high school, foi uma corrida de 5 km para arrecadar fundos a uma pesquisa de um hospital sobre câncer de mama. Foi gigante.

JC - Como se inseriu em cargos de liderança na universidade?

César - Entrei na USF como pré-medicina, mas depois, com o envolvimento com o governo estudantil, comecei a gostar da área jurídica e adicionei pré-direito. Como presidente estudantil, represento quase 50 mil alunos. Devido ao cargo, integro o Board of Trustees, grupo de 12 pessoas que administram tudo na faculdade, bem como a Florida Student Association (FSA), formada por 12 presidentes do corpo estudantil de universidades públicas da Flórida, escolhidos pelo governador Ron DeSantis para representar os 400 mil alunos do estado. Nesta terça-feira, inclusive, vou a Washington com outros integrantes da FSA para conhecer e dialogar com políticos da Flórida no Congresso.

JC - O que foi definitivo para a eleição inédita de um brasileiro no governo estudantil da USF?

César - O governo estudantil reproduz o governo americano, com senador, governador, presidente. E a USF tem a maior associação estudantil de brasileiros do mundo, com mais de 400 membros, que não tinham representatividade. Concorri a senador, em 2021, e tive o maior número de votos. Fiquei na função por dois anos e, após meses de preparação e campanha, também com apoio de outros alunos internacionais e americanos, eu e minha vice, Elizabeth Volmy, fomos eleitos à presidência para o mandato de um ano, iniciado em junho de 2023. Tive a oportunidade de viajar a Flórida toda, aprender muito e participar de grandes decisões, como as tratativas para a construção de um estádio de futebol americano da USF, com capacidade para 35 mil pessoas, que ficará pronto em 2027. Nosso time, o Bulls, está ganhando corpo e a obra vai solidificar ainda mais nossa marca. É um investimento alto, mas que deve mudar a história da região.

JC - Vivendo esta experiência, cogita seguir carreira na política?

César - Os primeiros quatro anos de faculdade, que concluo em agosto, são bem gerais e, na sequência, farei mais três anos de direito, além do exame da BAR, que é o exame da OAB nos EUA, para seguir na carreira jurídica na Flórida. Mas muitos políticos do país foram presidentes estudantis no passado e, com o visto, eu poderia ser até governador, um dia. No futuro, dependendo de como minha vida estiver, seria um prazer. Porém, mesmo em âmbito local, quero continuar assumindo funções de liderança, que trazem muita responsabilidade, mas permitem realizações maravilhosas.

JC - Sempre que possível, você vem a Bauru? O que costuma fazer na cidade?

César - Mantenho raízes em Bauru. Minha família sempre vem, minha mãe passa bastante tempo aqui por conta do nosso escritório de advocacia. Mas, por conta da faculdade, acabo ficando muito nos Estados Unidos. Neste último ano como presidente do corpo discente da USF, esta é a primeira vez que venho. Vim para visitar a família e, neste momento, não consigo ficar muito mais que uma semana. Mas, sempre que possível, tento ir a algum jogo do Bauru Basket e do Noroeste.

 César Esmeraldi com Rhea Law, reitora da University of South Florida (USF)

César e Elizabeth Volmy, vice-presidente do governo estudantil da USF, fazem o sinal do time de futebol americano da casa, o Bulls

Com Will Weatherford e Mike Griffin, respectivamente, presidente e vice do conselho curador da universidade

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