As pessoas que param de fumar observam ganhos na expectativa de vida depois de alguns anos. A conclusão é de um estudo recente realizado por pesquisadores da Unity Health Toronto, da Universidade de Toronto, no Canadá, publicado na revista científica "NEJM Evidence".
Os pesquisadores descobriram que parar de fumar reduz o risco de morrer de doenças vasculares e câncer, sobretudo. Aqueles que largaram o cigarro também diminuíram o risco de morte por doenças respiratórias.
No Brasil, diversos estudos têm sido realizados para compreender o que funciona e o que não funciona no processo de largar o tabagismo. Algumas abordagens têm se destacado como eficazes, enquanto outras nem tanto (Confira ao lado o que funciona e o que não funciona).
Mais de 100 mil pessoas procuraram alguma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) para parar de fumar em 2021. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o número representa um aumento de 35% no atendimento nas unidades da Atenção Básica, Centros de Atenção Psicossociais (Caps) e de Atenção Especializada, na comparação com 2020.
NUNCA É TARDE
Pessoas que param de fumar antes dos 40 anos podem esperar viver quase tanto quanto aqueles que nunca fumaram. Os benefícios valem para indivíduos de todas as idades. Parar de fumar, independentemente da idade, equivale a uma longevidade semelhante à de pessoas que nunca fumaram 10 anos depois de largar o cigarro. Cerca de metade desse benefício ocorre em apenas três anos.
"Parar de fumar é eficaz na redução do risco de morte e as pessoas podem colher esses frutos de forma notavelmente rápida",disse Prabhat Jha, diretor executivo do Centro de Pesquisa em Saúde Global da Universidade de Toronto.
O estudo observacional incluiu 1,5 milhão de adultos em quatro países (EUA, Reino Unido, Canadá e Noruega), acompanhados ao longo de 15 anos. Os fumantes com idades entre 40 e 79 anos corriam um risco quase três vezes maior de morrer em comparação com aqueles que nunca fumaram, o que significa que perderam em média 12 a 13 anos de vida. Ex-fumantes reduziram o risco de morte em 30%.
- Muitas pessoas pensam que é tarde demais para parar de fumar, especialmente na meia-idade - avalia Prabhat Jha.
- Mas os resultados contrariam essa linha de pensamento. Nunca é tarde demais, o impacto é rápido e é possível reduzir o risco das principais doenças, o que significa uma vida mais longa e melhor.
O QUE NÃO FUNCIONA
Acupuntura e hipnose
Embora a acupuntura e a hipnose sejam frequentemente consideradas como opções alternativas para parar de fumar, as evidências científicas que apoiam sua eficácia são limitadas e inconclusivas.
Iniciativa solitária
Além disso, estratégias baseadas apenas na força de vontade, sem suporte adicional, geralmente têm taxas de sucesso mais baixas, uma vez que o tabagismo é uma dependência complexa que muitas vezes requer abordagens multifacetadas para superar. Em resumo, os estudos no Brasil têm mostrado que o apoio psicossocial, a terapia de reposição de nicotina e certos medicamentos são eficazes para ajudar as pessoas a pararem de fumar. No entanto, é importante reconhecer que cada indivíduo é único, e o que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Portanto, é essencial que os programas de cessação do tabagismo sejam adaptados às necessidades individuais e que haja uma abordagem abrangente e personalizada para aumentar as chances de sucesso para o fumante largar de vez o cigarro.
O QUE FUNCIONA
Medicamento barato e eficaz
Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Argentina mostrou que um medicamento de baixo custo pode mais do que dobrar as chances de fumantes largarem o cigarro e é a primeira terapia para o tabagismo em quase duas décadas. A citisiniclina é um fármaco à base de plantas que se liga aos receptores de nicotina no cérebro, de modo a aliviar o desejo pela substância e de fumar. Além disso, ela reduz a gravidade dos sintomas associados à abstinência. É um mecanismo semelhante à vareniclina, substância do Champix, da farmacêutica Pfizer, aprovada nos Estados Unidos e no Brasil para o combate ao tabagismo. Os testes clínicos avaliaram o medicamento em comparação com terapias de reposição de nicotina, como adesivos, goma de mascar, inalador e aerossol, e com a própria vareniclina.
Apoio psicossocial
O apoio psicossocial tem sido identificado como fundamental para ajudar os fumantes a abandonar o vício. Programas de aconselhamento comportamental, tanto individuais quanto em grupo, têm mostrado resultados promissores. Esses programas muitas vezes incluem estratégias de modificação de comportamento, técnicas de enfrentamento do desejo de fumar e apoio emocional para lidar com os desafios da abstinência.
Reposição de nicotina
A terapia de reposição de nicotina (TRN) tem sido amplamente utilizada e reconhecida como eficaz. A TRN pode assumir várias formas, incluindo adesivos, gomas de mascar, pastilhas e inaladores. A técnica ajuda a aliviar os sintomas de abstinência, como irritabilidade, ansiedade e vontade intensa de fumar.