Em meio às dificuldades presentes quando se fala em ter filhos na sociedade atual, conciliar o trabalho, a casa e as crianças continua sendo apontado como uma das tarefas mais difíceis para as mulheres. A rotina corrida é a maior queixa delas, que também não se sentem valorizadas pela dedicação ao cuidado com os filhos.
Um estudo efetuado pela FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), sobre a chamada "economia do cuidado", mostrou que 65% do trabalho doméstico, o que inclui o cuidado com os filhos e com idosos, é feito por mulheres. O assunto gerou vários debates, vindo a ser também o tema da redação do Enem de 2023. E afim ao tópico, 71% das participantes do mais recente estudo realizado pela Famivita afirmaram que consideram difícil cuidar de casa, filhos e trabalho ao mesmo tempo hoje em dia.
A pesquisa da Famivita foi feita com 2.500 participantes entre 11 e 25 de setembro de 2023 e, as respostas positivas acerca disso, concentraram-se na faixa etária dos 35 aos 39 anos, com 77%. Em seguida, vieram aquelas dos 25 aos 29 anos, com 76%. Entre os homens, 66% também disseram que essa conciliação é difícil.
No recorte por região, 78% das mulheres, no Norte, responderam que consideram difícil cuidar de casa, filhos e trabalho ao mesmo tempo, hoje em dia; no Nordeste, tal parcela foi de 75%; no Centro Oeste, de 68%; já no Sul e Sudeste, 72% e 71% das mulheres, respectivamente, assinalaram essa dificuldade de conciliação.
De onde a ajuda deve vir?
Ao tornarem-se mães, as mulheres recebem uma nova função — por vezes, se elas não contam com ajuda, de fato, na criação dos filhos, é como se fosse um "novo cargo", só que não remunerado. Para além disso, no mundo do trabalho, a mulher-mãe precisa ser boa profissional. E, durante o estudo da Famivita, uma das perguntas feitas era quem poderia melhorar a situação nesse sentido, para haver uma conciliação maior entre a família, a casa e o ofício. Conforme 38% das integrantes da pesquisa, essa responsabilidade seria do governo, sendo que 25% delas afirmaram que isso caberia à família, 19% aos empregadores, 13% responderam que a outros e 6% disseram que a ninguém.
Entre as participantes que responderam que caberia ao governo auxiliar nessa conciliação, tal parcela se concentrou nos 30 aos 34 anos, com 40% delas. Além disso, 39% das mulheres responderam que seria o governo, contra 28% dos homens. Entre as participantes que responderam caber à família, a maioria estava na idade entre 25 e 29 anos, com 25%. Já entre aquelas que responderam "empregadores", 25% delas estavam na faixa etária entre os 35 e 39 anos, com 25%.
"Antigamente era mais fácil": será?
As últimas décadas do século XX foram marcadas por uma série de mudanças nas práticas e papéis sociais, atingindo várias esferas que compõem o cotidiano. Uma delas foi a família: não por acaso, é comum nos dias de hoje escutarmos as pessoas dizerem que antigamente era mais fácil a criação dos filhos. Especialmente aquelas mães que vêm das gerações anteriores comentam as diferenças entre ter uma criança na atualidade e no passado.
Muitos são os questionamentos feitos sobre a criação dos filhos na contemporaneidade e entre os fatores contrastantes entre "o hoje e o ontem", podem ser citados maiores índices de violência, assim como a maior carga de trabalho, sendo que muitas mulheres ainda não haviam adentrado o mercado profissional também. Além disso, como apontam especialistas, acontece igualmente de haver uma cobrança excessiva às mães, tanto da parte das pessoas como vinda delas mesmas, em relação à criação que estão dando aos filhos.
Assim, a lista do que deve ser feito para uma mulher ser considerada uma boa mãe pode ser grande e não é incomum encontrarmos na internet modelos prontos para isso. Pertinente ao assunto, no mais recente estudo feito pela Famivita, 58% das mulheres disseram considerar que há 10 anos atrás era mais fácil ter filhos.
A pesquisa da Famivita foi feita com 2.500 participantes entre 11 e 25 de setembro de 2023 e, especialmente na faixa etária dos 35 aos 39 anos e dos 40 aos 44 anos, elas disseram que sim, era mais simples no passado, com 71%. Já entre os homens, 44% afirmaram também crer que foi mais fácil para as gerações anteriores. Vale destacar que 65% das mulheres com filhos afirmaram isso, contra 48% das mulheres sem filhos.
No recorte por região, 63% das mulheres, no Norte, responderam que para a geração anterior a criação dos filhos era mais fácil; no Nordeste, tal parcela foi de 61%; no Centro Oeste, de 57%; Sul e Sudeste empataram com 58%.
Comentários
2 Comentários
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Tati 27/01/2024Que dúvida! Ainda mais difícil Qd os homens só fazem o filho e abandonam a mulher, pensando que não tem nenhuma responsabilidade sobre o feito, pondo toda a culpa na mulher! -
Tati 27/01/2024Nem precisava falar! Kkk Imagino quando o homem a abandona e ela tem que cuidar sozinha sem a família por perto... a educação do homem tem que mudar, ou teremos apenas fetos feitos em laboratório!