ÓBITOS

Um terço dos mortos no trânsito em Bauru tem mais de 60 anos

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Samantha Ciuffa/JC Imagens
Diretor de Trânsito e Transporte da Emdurb, Flávio Jun Kitazume
Diretor de Trânsito e Transporte da Emdurb, Flávio Jun Kitazume

Em 2023, 20 pessoas morreram no trânsito urbano de Bauru e, destas, 30% tinham mais de 60 anos. A proporção é a mesma verificada em 2022, mostrando a persistência de um índice elevado de ocorrências fatais na malha viária da cidade entre moradores com esta faixa etária.

Para se ter ideia, em 2021 e 2020, as taxas corresponderam, respectivamente, a 16,6% e 7,4% do total de óbitos por acidentes de trânsito, incluindo colisões e atropelamentos, conforme revelam as estatísticas da Emdurb (veja quadro no final). Por meio de ações de conscientização, a empresa pública busca conter a alta de casos.

Em 2019, antes da instalação da pandemia de Covid-19 no município, o índice havia sido de 20%, mais elevado que os dois anos posteriores, mas ainda inferior ao verificado atualmente. O levantamento também aponta que este grupo populacional se tornou o segundo mais vulnerável a mortes no trânsito, atrás apenas das pessoas que têm entre 18 e 30 anos.

Fatores como o envelhecimento da população da cidade, que registrou alta de 52% do número de idosos em 12 anos, segundo dados do Censo 2022, ajudam a explicar este cenário, também influenciado pelo arrefecimento e fim da pandemia, permitindo que este público, mais suscetível aos efeitos danosos da Covid, pudesse voltar a circular pela cidade com mais tranquilidade.

Diante desta nova dinâmica, especialmente a partir do segundo semestre do ano passado, a Emdurb detectou elevação de atropelamentos no município, causando óbitos especialmente entre idosos. O setor de educação da empresa pública, então, foi a campo, com foco na região central, onde os casos vinham sendo mais frequentes.

PERIGO

"Um dos locais mais críticos era o cruzamento da Rodrigues Alves com a Azarias Leite, porque estas pessoas desciam no ponto de ônibus ali para irem ao INSS. Mas, no ano passado, tivemos atropelamentos de idosos em outros lugares do Centro. E, em campo, o setor de educação observou que muitos pedestres estavam cometendo irregularidades, como atravessar a rua na transversal, fora da faixa de pedestre, ou com o sinal verde para os veículos ou, ainda, usando celular", descreve Flávio Jun Kitazume, diretor de Trânsito e Transporte da Emdurb.

E para o público mais idoso, que já tem certa perda de capacidade de percepção do entorno, bem como de visão, audição ou mobilidade, os riscos acabam sendo potencializados, assim como as chances de complicações de saúde se forem feridas em um acidente. "A partir da identificação deste cenário, fizemos, de outubro a dezembro de 2023, junto com o setor de educação e o GOT, 12 ações em que distribuímos panfletos e demos orientações, pedindo cooperação de pedestres e motoristas", completa.

Atualmente, o pedestre é a segunda vítima mais frequente de ocorrências fatais no trânsito de Bauru, atrás apenas dos motociclistas. Em 2023, das 20 mortes, sete estavam em veículos de duas rodas e seis, a pé. O levantamento da Emdurb revela, também, que foram vitimados 16 homens e quatro mulheres. No recorte de idade, sete tinham entre 18 e 30 anos e seis, mais de 60 anos.

Comentários

1 Comentários

  • Jorge Hamilton Quatrina 10/01/2024
    Qual a porcentagem de acidentes de motociclistas \" após instalação das faixas destes\" no asfalto, cruzamentos de vias aquém Bauru-S.P, imitando a Capital...Por que não seguir as \"demarcação no asfalto dos corredores de ônibus \"...??